Flávio Bolsonaro nega "racha" com Michelle
Enquanto senador constrói sua pré-candidatura à Presidência, ex-primeira-dama faz acenos a Tarcísio
247 - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, negou a existência de qualquer divisão interna na família Bolsonaro e afirmou que não pretende pressionar aliados por apoio neste momento. Em conversa com jornalistas nesta quinta-feira (15), ele disse que trabalha pela união do campo conservador e que o cenário eleitoral ainda está distante.
As declarações foram dadas em frente à Superintendência Regional da Polícia Federal, após uma visita ao pai. Ao ser questionado sobre rumores de desentendimentos familiares, Flávio foi categórico: “Não tem racha nenhum”.
Segundo o senador, o processo eleitoral ainda está em fase inicial e não há motivo para cobranças antecipadas. “A campanha eleitoral está longe. As pessoas têm o tempo delas e eu não vou ficar cobrando ninguém”, afirmou. A fala ocorre em meio a especulações geradas após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhar um vídeo do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e curtir um comentário da primeira-dama paulista que dizia: “o Brasil precisa de um novo CEO, meu marido”.
Entre aliados, o gesto foi interpretado como um possível recado ao senador. De acordo com relatos, Michelle teria ficado contrariada com a forma como Flávio anunciou sua pré-candidatura. O senador viajou a São Paulo para comunicar pessoalmente Tarcísio de Freitas, mas não teria avisado a ex-primeira-dama antes de tornar pública a decisão.
Flávio também comentou a pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (14), que aponta crescimento de seu nome na corrida presidencial, embora ainda em desvantagem para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro e no segundo turnos de 2026. Para o senador, o levantamento não reflete plenamente o cenário atual. “Acho que o resultado ainda não reflete bem a realidade. Não é o que as nossas pesquisas internas estão mostrando. Não existe aquela distância entre eu e o Lula”, declarou.
Apesar das críticas, ele reconheceu o avanço apontado pelo instituto. “[Mas] até as pesquisas como a Quaest mostram um crescimento gigantesco, não apenas com o eleitorado que se diz bolsonarista, mas inclusive com o eleitorado que se considera nem de esquerda e nem de direita”, disse.
Durante a conversa, Flávio voltou a criticar as condições a que Jair Bolsonaro (PL) estaria submetido. Segundo ele, o barulho constante no local onde o pai está detido tem causado sofrimento. “Ele pediu um abafador por causa do som enlouquecedor a que ele é submetido por quase 12 horas por dia, de 7h da manhã às 7h da noite”, afirmou, antes de completar: “Isso é técnica de tortura, não tem outra palavra fofinha para dar".


