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Flávio visita Bolsonaro em meio a tensões na direita

Visita à PF ocorre após pesquisa eleitoral e ruídos familiares envolvendo sinais sobre 2026

O senador Flávio Bolsonaro em Brasília - 7/12/2025 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - A ida do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, nesta manhã, ocorreu em um momento sensível para o campo conservador. A movimentação se dá poucos dias após o parlamentar retornar dos Estados Unidos e um dia depois da divulgação da primeira pesquisa Quaest sobre a corrida presidencial de 2026, que reposicionou o debate interno na direita, relata o jornal O Globo.

O levantamento mostrou que o presidente Lula (PT) mantém a liderança em todos os cenários testados, enquanto Flávio aparece com índices que variam de 23% a 32% das intenções de voto no primeiro turno. O resultado foi interpretado como um sinal de fortalecimento do senador, que busca se viabilizar como pré-candidato e tem defendido, junto a aliados, a necessidade de evitar uma fragmentação precoce da direita antes da definição do nome que ocupará o espaço político de Jair Bolsonaro (PL), atualmente preso na PF.

No entorno do PL, a leitura é que Flávio tenta equilibrar duas estratégias simultâneas. De um lado, mantém o pai como principal referência simbólica do movimento bolsonarista; de outro, amplia sua presença nacional e articulações políticas para sustentar um projeto próprio de alcance nacional. A visita à Polícia Federal é vista, nesse contexto, como parte desse esforço de reposicionamento.

O cenário, porém, foi tensionado por recentes episódios que evidenciaram disputas internas na família Bolsonaro e em seu entorno político. O primeiro ruído surgiu após uma publicação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que compartilhou um vídeo do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O gesto foi interpretado por setores bolsonaristas como um estímulo a especulações sobre uma eventual candidatura de Tarcísio em 2026, o que gerou desconforto entre aliados de Flávio, que trabalham para consolidá-lo como herdeiro político natural do pai.

A situação se intensificou com um comentário feito por Cristiane Freitas, primeira-dama paulista e esposa de Tarcísio. Em uma postagem do governador, ela escreveu que “o Brasil precisa de um novo CEO”, frase que foi curtida por Michelle Bolsonaro e recebida por militantes como uma sinalização eleitoral. A repercussão negativa foi imediata em setores ligados a Bolsonaro, levando Michelle a intervir para defender Cristiane. Segundo ela, o comentário não representaria uma indicação de candidatura e a preferência do grupo seguiria sendo por Jair Bolsonaro.

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