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‘Bolsonaro tem conseguido transferir eleitores para Flávio’, avalia Felipe Nunes, da Quaest

CEO da Quaest analisa pesquisa Genial/Quaest e afirma que cenário indica polarização e avanço de Flávio Bolsonaro

Felipe Nunes (Foto: Reprodução/ CNN Brasil)

247 - O CEO da Quaest, Felipe Nunes, afirmou que a nova pesquisa Genial/Quaest de janeiro de 2026 confirma a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em todos os cenários eleitorais testados, mas revela um quadro político mais complexo do que os números brutos sugerem. Segundo ele, os dados mostram uma combinação entre vantagem eleitoral, polarização e reorganização do campo da direita.

A análise de Felipe Nunes, baseada na pesquisa Genial/Quaest encomendada pela Genial Investimentos, aponta que Lula lidera todos os cenários estimulados de primeiro turno, com intenções de voto entre 35% e 40%. Ainda assim, o CEO da Quaest ressalta que o presidente “vence em todos os cenários de intenção de voto, mas não parece empolgar a maioria da população brasileira”.

Ao detalhar o desempenho da oposição, Felipe Nunes destaca a consolidação de Flávio Bolsonaro como principal nome do campo adversário. “Lula lidera todos os cenários estimulados de 1º turno”, afirma, observando que Flávio aparece de forma consistente na segunda posição. No cenário com todos os candidatos, incluindo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, Flávio registra 23% das intenções de voto; sem Tarcísio, sobe para 26%. Já em um cenário sem Flávio, Ratinho Jr. e Romeu Zema, Tarcísio chegaria a 27%.

Para o CEO da Quaest, o crescimento recente de Flávio não se explica apenas pelo apoio do eleitorado bolsonarista. “Os dados da pesquisa sugerem que a força de arrancada que Flávio adquiriu no último mês não é só fruto do apoio de bolsonaristas, mas também da direita não bolsonarista”, afirma. Segundo ele, esse segmento “começa a considerar a possibilidade de votar nele, mesmo diante de outros nomes”. Nesse grupo, Flávio já aparece com quase 50% das intenções de voto, contra 16% de Tarcísio e 10% de Ratinho Jr.

Nas simulações de segundo turno, Lula também aparece vencendo todos os adversários, mas Felipe Nunes chama atenção para as variações na distância. “O que varia é a distância”, resume. Contra Tarcísio, Lula tem cinco pontos de vantagem; diante de Flávio Bolsonaro ou Ratinho Jr., a diferença é de sete pontos. Em outros confrontos, a margem se amplia: 11 pontos contra Ronaldo Caiado, 15 contra Romeu Zema, 18 contra Aldo Rebelo e 20 frente a Renan Filho.

Um dos pontos centrais da análise é a redução da distância entre Lula e Tarcísio no último mês. “Importante destacar que a distância entre Lula e Tarcísio diminuiu no último mês”, afirma Felipe Nunes, ao lembrar que a vantagem caiu de dez para cinco pontos percentuais. Para ele, “o grande trunfo do governador de São Paulo seria o apoio crescente da direita bolsonarista no cenário contra o Lula”.

Esse avanço, no entanto, traz desafios. Segundo o CEO da Quaest, “o seu desafio seria conseguir convencer os eleitores independentes e bolsonaristas a aderirem ao seu projeto presidencial, em um caso de desistência de Flávio”. A análise também destaca uma percepção disseminada na sociedade: “pra ser competitivo contra Lula, a oposição precisa lançar um nome que não seja bolsonarista”. Caso contrário, diz Nunes, “a população acredita que Lula vencerá com facilidade”.

Apesar disso, cresce a convicção de que Flávio Bolsonaro seguirá até o fim da disputa. “Na população, no entanto, a crença majoritária é que Flávio vai até o fim da disputa”, afirma Felipe Nunes, apontando que esse percentual subiu de 49% para 54%. Essa visão se fortalece em praticamente todos os segmentos: 83% entre bolsonaristas, 75% na direita, 49% entre independentes e 44% na esquerda.

Outro dado destacado na análise é o aumento do apoio à decisão de Jair Bolsonaro de escolher o filho como candidato. “O que também sugere a manutenção de Flávio na disputa é o aumento no percentual de brasileiros que acreditam que o ex-presidente tomou a medida certa”, afirma. Esse índice passou de 36% para 43%, chegando a 87% entre bolsonaristas e crescendo também entre eleitores da direita e independentes.

Felipe Nunes avalia que o ex-presidente foi bem-sucedido na transferência de seu capital político. “Quem parece ter cumprido sua missão na transferência de seu espólio político é Jair Bolsonaro”, diz, ao destacar que 93% dos bolsonaristas afirmam que votarão ou considerarão votar no candidato indicado por ele, percentual muito próximo do apoio efetivo a Flávio nesse grupo.

Ao olhar para o cenário geral, o CEO da Quaest aponta que, se a candidatura de Flávio se consolidar, Lula pode disputar “a terceira eleição polarizada contra alguém da família”. Nesse contexto, pesa a favor do presidente o fato de que 46% dizem ter medo do retorno da família Bolsonaro ao poder, contra 40% que temem a continuidade de Lula.

Ainda assim, Felipe Nunes ressalta os limites do atual governo. “O que Lula ainda não conseguiu fazer, no entanto, foi gerar uma sensação positiva de continuidade”, afirma. Segundo ele, a aprovação do governo segue estável, com empate entre aprovação e desaprovação, e a maioria dos brasileiros considera que o presidente não merece mais um mandato.

A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 pessoas em 120 municípios entre os dias 8 e 11 de janeiro. O nível de confiança é de 95%, com margem de erro de dois pontos percentuais.

 

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