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Flávio Bolsonaro negociou valor superior ao lucro do BTG com CDBs do Master

Áudio revelado pelo The Intercept expõe cobrança de US$ 24 milhões a Daniel Vorcaro para financiar filme sobre Jair Bolsonaro

Flávio Bolsonaro, agente da PF, Daniel Vorcaro e, ao fundo, Congresso e Banco Master (Foto: Reprodução I Divulgação )
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247 - As negociações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, colocaram em evidência valores que superam até mesmo os ganhos obtidos pelo BTG Pactual com a distribuição de CDBs da instituição financeira. Segundo informações publicadas pelo colunista Julio Wiziack, do UOL, o montante tratado entre Flávio e Vorcaro chegou a US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na cotação atual.

A reportagem do UOL mostra que o valor mencionado nas conversas ultrapassa os R$ 124,1 milhões que o BTG Pactual recebeu entre 2022 e 2025 pela distribuição dos títulos do Banco Master. Os maiores ganhos no período ficaram com o Nubank, que arrecadou R$ 1 bilhão, seguido pela XP, com R$ 935,2 milhões. Também aparecem na lista Órama (R$ 157,2 milhões), Genial (R$ 90,1 milhões), Safra Corretora (R$ 61,1 milhões) e Ágora (R$ 56,6 milhões).

O caso ganhou repercussão após o The Intercept divulgar um áudio de uma conversa entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. No material, o senador cobra o pagamento de parcelas atrasadas que, segundo a publicação, seriam destinadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção autobiográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Flávio confirmou pedido de recursos

Inicialmente, Flávio Bolsonaro negou ter solicitado dinheiro ao empresário ou ao Banco Master. Horas depois, entretanto, confirmou a existência da negociação. O senador afirmou que “não ofereceu vantagens” em troca dos recursos e sustentou que o dinheiro tratado era de natureza “privada”.

O episódio provocou forte repercussão política em Brasília, principalmente pelo fato de Flávio Bolsonaro ser apontado como pré-candidato à Presidência da República. O conteúdo revelado levantou questionamentos sobre a origem e a finalidade dos recursos discutidos nas conversas com Vorcaro.

A produção cinematográfica mencionada no áudio também passou a ser alvo de esclarecimentos públicos. A GOUP Entertainment, produtora responsável pelo longa “Dark Horse”, afirmou que não recebeu qualquer quantia ligada ao empresário ou ao Banco Master.

Produtora nega recebimento de recursos

Em nota oficial, a empresa declarou que “não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer empresa sob o seu controle societário”. A manifestação buscou afastar a ligação financeira entre o projeto audiovisual e os valores mencionados nas negociações.

Além disso, os números divulgados pela Receita Federal mostram que o montante discutido entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro também superaria os pagamentos realizados pelo Banco Master a escritórios de advocacia no período analisado. Segundo os dados, os escritórios Warde Advogados e Barci de Moraes Advogados receberam R$ 80 milhões cada.

A dimensão financeira do caso ampliou a pressão política sobre o senador e sobre o Banco Master, levando parlamentares ligados à base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a acionarem o Supremo Tribunal Federal.

Caso chegou ao STF

Deputados e senadores governistas protocolaram pedidos de investigação no STF para apurar eventual uso de emendas parlamentares no financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro. A suspeita surgiu após a divulgação das conversas envolvendo a cobrança dos recursos.

Os pedidos apresentados à Corte buscam esclarecer se houve utilização indevida de verbas públicas ou qualquer irregularidade relacionada à destinação do dinheiro negociado entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

Até o momento, não há decisão definitiva sobre a abertura de investigação formal, mas o caso segue repercutindo nos bastidores políticos e financeiros, especialmente após a divulgação dos áudios e das cifras envolvidas nas negociações.

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