Galípolo defende atuação do BC no caso Master e cobra regras mais rígidas
Presidente do Banco Central diz que reforço no “enforcement” é essencial após liquidação do Banco Master e agradece apoio de Lula e Haddad
247 - O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu nesta segunda-feira (9) a condução da autoridade monetária no processo que resultou na liquidação do Banco Master. Ele afirmou que o episódio evidencia a necessidade de reforçar regras ligadas à gestão de ativos e passivos das instituições financeiras, com maior rigor na fiscalização do equilíbrio dos balanços bancários.
As declarações foram dadas durante um evento promovido pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC), em São Paulo, segundo reportagem do SBT News. No encontro, Galípolo respondeu a críticas relacionadas ao caso e disse que o BC apresentou justificativas ao longo de todo o processo, que envolveu tanto a rejeição da compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB) quanto a posterior decretação de sua liquidação.
Captação acima do CDI não é proibida, diz Galípolo
Ao comentar o modelo de negócios do Banco Master, Galípolo ressaltou que não existe no Brasil nenhuma norma que proíba uma instituição financeira de captar recursos oferecendo taxas acima do CDI, prática que foi adotada pelo banco. Ele afirmou, no entanto, que problemas de captação não deveriam levar necessariamente à insolvência, mas sim limitar o crescimento da instituição.
"Qualquer banco que consiga fazer o casamento bem feito de ativo e passivo, se ele passar por problemas para captar, isso deveria afetar o crescimento do banco, mas não a solvência", afirmou.
Na avaliação do presidente do BC, diante de uma dificuldade emergencial, o banco poderia recorrer à venda de ativos para recompor liquidez e evitar um colapso.
"Quando você tem este tipo de problema, você pode sempre vender algum tipo de ativo para resolver aquele problema emergencial."
BC fala em reforço de fiscalização e novas medidas em andamento
Galípolo disse que o Banco Central mantém um trabalho contínuo de aprimoramento regulatório, mas apontou que o caso Master mostra a importância de fortalecer mecanismos de cumprimento das normas de gestão do balanço bancário.
"O aprendizado é: como a gente consegue criar mais 'enforcement'. Já tem medidas feitas e outras que estão no 'pipeline', é um trabalho contínuo... Ter um ‘enforcement’ maior nesse casamento entre passivo e ativo, acho que é muito importante", declarou.
Segundo ele, a prioridade é garantir maior controle sobre a relação entre captação e alocação de recursos, evitando desequilíbrios que possam comprometer a estabilidade do sistema financeiro.
Galípolo agradece apoio de Haddad e Lula e cita autonomia do BC
Durante o evento, Galípolo afirmou ser grato pelo respaldo institucional recebido durante o processo e destacou que a autonomia do Banco Central foi preservada pela gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele também mencionou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como um dos defensores do trabalho da autoridade monetária.
"Agradeço o ministro (da Fazenda, Fernando) Haddad, que tem dado declarações reiteradas de apoio", afirmou.
O presidente do BC acrescentou que Lula tem enfatizado a importância de proteger a autonomia do Banco Central e da Polícia Federal, o que, segundo ele, contribuiu para dar estabilidade ao trabalho desenvolvido pela autarquia.
"O que a experiência de Lula traz para que a gente possa desenvolver nosso trabalho... (ela) traz tranquilidade", acrescentou.
Presidente do BC rebate críticas e defende esclarecimento público
Galípolo também afirmou que é necessário explicar as decisões do Banco Central para impedir que versões distorcidas comprometam a percepção pública sobre o caso.
"Esclarecer para evitar que narrativas atrapalhem a percepção do público em geral", disse.
Ele recordou que o Banco Master começou a enfrentar dificuldades de captação a partir do fim de 2024. O processo, segundo Galípolo, culminou na rejeição da proposta de venda ao BRB e, mais tarde, na decretação da liquidação do banco em novembro de 2025, cerca de um ano depois do agravamento do quadro.
De acordo com o presidente do BC, a atuação coordenada entre o Banco Central e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) permitiu que as decisões fossem tecnicamente fundamentadas.
O caso segue gerando críticas de setores que avaliam que o BC teria demorado a agir, já que o modelo do Master vinha sendo questionado desde 2024. As contestações não atingem apenas a atual gestão, mas também a condução do órgão sob o comando do ex-presidente Roberto Campos Neto, que permaneceu no cargo até o fim de 2024.
No auge das dificuldades, o Master chegou a oferecer CDBs com rentabilidade próxima de 140% do CDI. Após a liquidação, o FGC passou a efetuar pagamentos a credores com valores de até R$ 250 mil por CPF, conforme as regras do mecanismo de proteção.


