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Galípolo diz que “agradece a Deus” por enfrentar caso Master na presidência de Lula

Presidente do Banco Central cita autonomia do BC e da PF, detalha falta de caixa e diz que liquidação buscou proteger o sistema financeiro

Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante coletiva de imprensa, em Brasília - 27/03/2025 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira que se sente grato por atravessar a crise envolvendo o Banco Master durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi feita durante um evento promovido pela ABBC (Associação Brasileira de Bancos).

Galípolo destacou a importância de a condução do caso ocorrer em um ambiente institucional que assegure a autonomia do Banco Central e o trabalho das autoridades responsáveis pelas investigações. “Agradeço a Deus por passar por isso sob o presidente Lula. Eu quero sublinhar a garantia da autonomia do BC e da Polícia Federal”, declarou.

O episódio ganhou repercussão nacional em janeiro, quando Lula afirmou, durante evento em Maceió, que a população mais pobre do país é sacrificada “enquanto que um cidadão do Banco Master deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões”. No evento da ABBC, Galípolo também agradeceu o apoio do ministro Fernando Haddad (Fazenda), além do trabalho do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e da Polícia Federal.

Ao justificar a decisão do Banco Central de liquidar o banco controlado por Daniel Vorcaro, Galípolo apontou dificuldades financeiras imediatas e risco de colapso diante do vencimento de compromissos. “Havia apenas R$ 4 milhões em caixa, já existia um processo administrativo sancionador em cima do banco desde o primeiro trimestre de 2025 porque ele estava mais de R$ 2,5 bilhões está atrás do compulsório, e, naquela semana, o banco tinha mais de R$ 120 milhões para pagar em CDBs”, afirmou.

O compulsório é a parcela do dinheiro captado pelos bancos que deve ser depositada obrigatoriamente no Banco Central, funcionando como um mecanismo de segurança e controle do sistema financeiro.

Durante sua fala, Galípolo argumentou que o foco da atuação do BC deve ser preservar as instituições sem permitir impunidade individual. “Você não pune a instituição e salva as pessoas. Você tenta salvar a instituição e pune as pessoas que possam ter feito mal”, disse.

O presidente do BC também ressaltou que o Banco Master se enquadra como instituição do tipo S3, categoria que não corresponde aos maiores bancos do país, o que tornaria o processo de liquidação menos complexo do que em casos históricos envolvendo bancos de grande impacto sistêmico, como o Bamerindus.

Galípolo ainda citou o trabalho do diretor Ailton de Aquino Santos na apuração do caso e reforçou o apoio recebido por entidades do setor bancário. Ele mencionou que o Banco Central enfrentou questionamentos públicos sobre a decisão de liquidar o Master e lembrou que o caso também é alvo de investigações conduzidas pelo ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União.

Ao final, o presidente do Banco Central destacou a importância da mobilização institucional em torno da transparência. “É importante ressaltar, de novo, todo o apoio que temos tido das associações, das instituições, das federações, nesse processo em prol da transparência. Isso é muito importante. O apoio que a gente recebeu da opinião pública nesse processo de garantir a transparência.”

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