PT aprova resolução com críticas ao Banco Central e defende revisão da meta de inflação
No texto, o partido afirma que é momento de cortar a Selic, “que permanece em patamar restritivo e incompatível com as necessidades do desenvolvimento"
247 - O Diretório Nacional do PT aprovou, na sexta-feira (6), em Salvador, uma resolução que faz duras críticas à política monetária do Banco Central e defende a redução da taxa básica de juros, além da revisão da meta de inflação atualmente fixada em 3%. O texto foi divulgado neste sábado (7), durante os eventos de celebração dos 46 anos do partido na Bahia.
No texto, o partido afirma que é momento de cortar a Selic, “que permanece em patamar restritivo e incompatível com as necessidades do desenvolvimento nacional”. Atualmente, a taxa básica de juros está em 15,00% ao ano. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada em janeiro, o Banco Central sinalizou a possibilidade de iniciar um ciclo de redução na próxima reunião, prevista para março.
A resolução também faz críticas diretas à condução da política monetária e à autonomia do Banco Central, aprovada durante o governo Jair Bolsonaro. Segundo o documento, “a política monetária conduzida pelo Banco Central, cuja autonomia foi instituída durante o governo Bolsonaro, tem operado como instrumento de bloqueio ao projeto eleito nas urnas, aprofundando a financeirização da economia, drenando recursos públicos e restringindo o investimento produtivo”.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, indicado para o cargo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem sido alvo de críticas internas no PT por, na avaliação de dirigentes e parlamentares da legenda, não agir com mais rapidez para reduzir os juros. O tema tem sido recorrente em discursos de lideranças petistas e voltou a ganhar força com a divulgação da resolução.
Além da questão dos juros, o partido defende a revisão da meta de inflação, atualmente em 3%, “compatibilizando-a com crescimento econômico, geração de empregos de qualidade”. Para os dirigentes, a calibragem da meta poderia abrir espaço para uma política monetária menos restritiva e mais alinhada a objetivos de desenvolvimento.Em 2025, a inflação fechou em 4,26%, abaixo do teto do intervalo de tolerância, que é de 4,5%. Mesmo assim, a direção do PT avalia que o atual regime de metas, combinado com juros elevados, tem imposto custos elevados à economia, especialmente em termos de investimento produtivo e geração de empregos.
A resolução aprovada em Salvador reforça o tom crítico do partido em relação à atual condução da política monetária e sinaliza que o tema deve permanecer no centro do debate político e econômico ao longo de 2026, especialmente em um contexto de discussões sobre crescimento, emprego e o papel do Estado na indução do desenvolvimento.


