Governo anuncia ampliação do Move Brasil com R$ 21,2 bilhões para renovar frota
Programa terá R$ 21,2 bilhões e amplia acesso para autônomos e empresas de transporte
247 - O governo federal anunciou nesta quinta-feira (30) a ampliação do programa Move Brasil, que passa a financiar não apenas caminhões, mas também ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários. A nova fase amplia o alcance da iniciativa e aumenta o volume de recursos disponíveis, com foco em facilitar o acesso ao crédito para transportadores, especialmente autônomos.
O anúncio foi feito em evento com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o governo, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) será responsável pela operacionalização da linha de financiamento, denominada BNDES Renovação de Frota, com orçamento total de R$ 21,2 bilhões.
Ampliação do crédito e novas condições
Do total previsto, R$ 14,5 bilhões virão do Tesouro Nacional e R$ 6,7 bilhões serão aportados pelo próprio BNDES. O valor máximo financiável por beneficiário será de até R$ 50 milhões, enquanto as condições da linha ainda serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Durante o evento, o presidente destacou o papel do Estado na formulação de políticas públicas voltadas à solução de problemas estruturais. “A razão pela qual é preciso existir governo é essa. É para resolver problemas”, afirmou.
Críticas ao acesso desigual no programa
Lula também apontou dificuldades observadas na primeira fase do programa, especialmente no acesso ao crédito por parte de trabalhadores autônomos. Segundo ele, houve concentração dos recursos nas empresas com maior capacidade financeira.
“O que nós percebemos no Move [Brasil] 1 é que ele atendeu com muito mais precisão e muito mais rapidez [...] as entregadoras. Os autônomos foi muito pouco”, declarou.
O presidente relatou que, apesar da disponibilidade inicial de recursos, a liberação foi inferior ao esperado. “Nós tínhamos disponibilizado um bilhão e só tinha se liberado 200 milhões”, disse.
Pedido a bancos públicos
Diante desse cenário, Lula fez um apelo direto às instituições financeiras públicas para ampliar o acesso ao crédito.
“Eu queria pedir ao Banco do Brasil, à Caixa e ao BNDES [...] tratem com carinho. Porque atender mais gente, em piores condições de pagamento, [...] é preciso ter mais atenção”, afirmou.
Ele reforçou que a política deve buscar equilíbrio entre diferentes perfis de beneficiários. “Vamos ver se a gente consegue dar um exemplo de que uma vez na vida, os mais pobres são tratados como os outros mais ricos”, acrescentou.
Renovação da frota e infraestrutura
O presidente também mencionou medidas complementares voltadas ao setor de transporte, como a criação de pontos de descanso para caminhoneiros nas rodovias.
“Os caminhoneiros vão ter pela primeira vez nesse país [...] 41 praças para descansar, com respeito e com segurança”, afirmou.
Biocombustíveis e redução de emissões
Durante o discurso, Lula destacou ainda a estratégia do governo em relação ao uso de biocombustíveis, apontando resultados de testes comparativos realizados no exterior.
“Do poço ao motor, o nosso biodiesel é 90% menos emissor de CO2 do que o deles”, afirmou, acrescentando que, na média, o combustível brasileiro apresenta “67% menos emissor de CO2”.
Segundo ele, esses dados reforçam o potencial do Brasil no cenário global. “O Brasil pode virar a chamada Arábia Saudita do biocombustível”, disse.
Perspectivas para a indústria
O presidente também relacionou a ampliação do programa à estratégia de reindustrialização do país. Ele afirmou que o Brasil tem condições de ampliar a produção manufatureira, sem deixar de lado o agronegócio.
“Se a gente quiser de verdade fazer esse país se transformar num país exportador de manufaturado, nós temos condição de fazer”, declarou.
Ao final, Lula defendeu a participação de trabalhadores na formulação das políticas públicas. “Toda vez que a gente tiver que fazer uma política [...] nós temos que ter os trabalhadores na mesa de negociação”, afirmou.


