Governo Lula vê disposição de Motta para aprovar fim da escala 6x1
Planalto aposta em articulação com o presidente da Câmara para acelerar votação e transformar redução da jornada em vitrine política para 2026
247 - Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que cresceu a possibilidade de o Congresso avançar com o fim da escala 6x1 ainda antes das eleições municipais de outubro. A expectativa, segundo integrantes do governo, está ligada ao comportamento recente do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que teria sinalizado disposição para colocar o tema em debate, apesar da resistência do empresariado. As informações são do jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles.
No início, o Palácio do Planalto demonstrava insegurança sobre a chance de Motta assumir o protagonismo na condução do assunto, devido ao lobby empresarial e ao clima de turbulência política dentro da Câmara.
Mudança de postura anima o Planalto
Nos bastidores, aliados de Lula avaliam que o cenário mudou após manifestações consideradas positivas por parte de Hugo Motta. O presidente da Câmara teria afirmado a interlocutores que está disposto a discutir a proposta, gesto interpretado como uma tentativa de se aproximar do eleitorado em meio ao calendário eleitoral.
A movimentação é vista no governo como um sinal de que Motta estaria calculando os impactos políticos do tema, sobretudo por depender diretamente das urnas em 2026. O deputado pretende disputar novo mandato pela Paraíba e, caso reeleito, buscará novamente o comando da Câmara em 2027.
Além disso, Motta articula a candidatura do pai, o prefeito de Patos, Nabor Wanderley, ao Senado. Na Paraíba, a disputa pelas duas vagas ao Senado deve reunir nomes alinhados ao presidente Lula, o que torna o cenário eleitoral ainda mais competitivo.
Fim da escala 6x1 no centro da agenda do governo
A proposta de acabar com a escala 6x1 passou a ser tratada como uma das principais prioridades do governo Lula no Congresso Nacional no primeiro semestre de 2026. Dentro do PT, a medida é vista como uma bandeira de forte apelo popular e uma vitrine estratégica para a campanha presidencial de 2026.
Com o objetivo de acelerar a tramitação, Lula já marcou para a próxima semana uma reunião com Hugo Motta para tratar diretamente do tema. O encontro contará com a presença da ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.
PEC prevê semana de quatro dias e jornada de 36 horas
A proposta em discussão é uma PEC apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) em fevereiro de 2025. O texto defende a redução da jornada para quatro dias por semana, com oito horas diárias, totalizando 36 horas semanais.
O cálculo considera ainda o limite de quatro horas extras semanais, conforme descrito no projeto protocolado no Congresso. A medida foi incorporada pelo governo como uma das prioridades legislativas para 2026.
Planalto avalia alternativa mais rápida para aprovar redução da jornada
Nos bastidores, o Palácio do Planalto também estuda uma estratégia para acelerar a aprovação da mudança. A ideia seria enviar um projeto de lei em regime de urgência constitucional, mecanismo que exigiria 257 votos para aprovação, número inferior aos 308 votos necessários para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição.
A avaliação do governo é que esse caminho poderia reduzir o tempo de tramitação e ampliar as chances de vitória no plenário, diante da resistência prevista por setores empresariais e parte do Congresso.


