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Haddad defende investigação da PF contra Jaques Wagner: “a lei tem que ser aplicada para todos”

Ex-ministro destaca independência das instituições, comenta investigação sobre Banco Master e cobra esclarecimentos de envolvidos

Fernando Haddad (Foto: Reprodução / YouTube)
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247 - O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a lei deve ser aplicada de forma igualitária a todos os cidadãos, independentemente de alinhamentos políticos ou relações pessoais. A declaração foi feita ao podcast Kritikê e repercutiu após a deflagração de uma operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), no âmbito das investigações sobre supostas fraudes e corrupção relacionadas ao Banco Master.

Haddad defendeu que o compromisso com a legalidade deve prevalecer mesmo quando investigações atingem pessoas próximas. Para ele, a responsabilidade das instituições é assegurar que eventuais irregularidades sejam apuradas e julgadas dentro da lei. “Para o bem do país, a lei tem que ser aplicada para todos os brasileiros”, declarou.

O ex-ministro ressaltou que questões éticas na política exigem coerência por parte de todos os agentes públicos.

“A questão ética na política, você tem que defender que a lei tenha que ser aplicada, independentemente da torcida. Eu torço para a Justiça ser feita. Eu vou lamentar se uma pessoa próxima a mim errou. Vou lamentar porque é uma pessoa que eu conhecia e tudo mais. Mas não posso desejar, para o bem da sociedade, que a lei não seja aplicada”, afirmou.

Na sequência, Haddad comparou a situação a episódios que podem ocorrer em comunidades religiosas, argumentando que o sentimento de proximidade não deve impedir a responsabilização de quem comete infrações.

“Se você está numa comunidade da igreja, onde se professa os maiores valores humanos, e ali tem uma pessoa que erra, você vai lamentar. Mas não vai querer que ele fique impune. O cara errou e prejudicou alguém. É muito desagradável. Mas tem uma lei prevendo uma punição para aquele ato. Nós temos que ter essa consciência.”

Defesa da autonomia da Polícia Federal

Durante a entrevista, Haddad elogiou a atuação da Polícia Federal e afirmou que as instituições têm funcionado com independência durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro também criticou a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, alegando que houve interferências em investigações envolvendo aliados e familiares.

“Primeiro eu dou parabéns para o presidente Lula, porque na sua gestão as instituições funcionam. Não está trocando o superintendente da Polícia Federal para proteger o seu filho, como o Bolsonaro fez. O Bolsonaro mudou o ministro da Justiça para proteger o filho dele. O Lula disse que não ia mudar nada. Se é meu filho ou ministro, cada um explica seus atos e responde por ele. Não queremos injustiça para ninguém”, disse.

Ao comentar especificamente a situação de Jaques Wagner, Haddad afirmou que o senador tem direito à ampla defesa e lembrou que ele já foi investigado anteriormente sem que irregularidades fossem comprovadas.

“Se um aliado meu errou e foi comprovado, ele tem que pagar. O país tem que funcionar assim. O Jaques Wagner já deu uma entrevista hoje prestando esclarecimentos. As autoridades vão julgar se é convincente ou não. Tem uma investigação em curso”, completou.

O ministro acrescentou: “Oito anos atrás, ele foi investigado sobre a Fonte Nova e disse que não iam achar nada errado, porque ele não fez nada errado. E tudo foi arquivado. E terminou bem. Ele eleito. Tudo em ordem. A vida pública tem disso. Às vezes uma pessoa precisa ser investigada porque há indícios, e a polícia tem que fazer o trabalho dela.”

Operação Compliance Zero e as suspeitas contra Jaques Wagner

A nova fase da Operação Compliance Zero foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação apura um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master.

De acordo com a Polícia Federal, Jaques Wagner é investigado por supostamente ter recebido vantagens indevidas em troca de atuação política favorável a interesses do grupo financeiro no Congresso Nacional.

Entre os elementos apontados pelos investigadores estão a aquisição de um apartamento de luxo em Salvador, ingressos para apresentações da cantora Taylor Swift, repasses financeiros para empresa ligada ao núcleo familiar do senador, viagens internacionais e o uso de aeronave privada para deslocamentos.

A decisão que autorizou a operação menciona uma relação próxima entre Wagner e Augusto Ferreira Lima, apontado pela PF como um dos principais operadores ligados aos interesses do Banco Master.

Segundo os investigadores, essa proximidade teria criado um ambiente favorável para tratativas relacionadas à defesa de interesses privados da instituição financeira.

Dinheiro apreendido e defesa do senador

Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal apreendeu US$ 49 mil em espécie, equivalentes a cerca de R$ 250 mil, em um endereço vinculado ao senador em Brasília.

Em entrevista à BandNews, Jaques Wagner afirmou que os valores têm origem legal e são resultado de diárias recebidas em viagens internacionais realizadas como parlamentar, além de recursos adquiridos em operações bancárias regulares para deslocamentos ao exterior.

“Eu, várias vezes, viajei pro exterior, mandei até levantar. E, de 2019 pra cá, eu recebi de diárias, aproximadamente US$ 70 mil dólares, e outras vezes que eu fui viajar eu comprei via Banco do Brasil, onde eu tenho conta, dólares ou euro, para fazer a viagem. Então, eu não tenho nenhuma coisa para esconder”, declarou.

O senador também informou ter recebido um telefonema do presidente Lula após a operação, em gesto de solidariedade.

Críticas a Flávio Bolsonaro

Na entrevista ao podcast, Haddad também direcionou críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. O ministro questionou os aportes destinados à produção do filme “Dark Horse”, baseado na trajetória política de Jair Bolsonaro.

“Tem outras pessoas que também têm que dar explicações. Você pedir R$ 134 milhões para fazer um 'filme série B' não é razoável. Um filme para contar a história do Bolsonaro custa R$ 5, 10, 20 milhões”, afirmou.

Em seguida, acrescentou: “Você pede 134 milhões e manda para os Estados Unidos, ao invés de fazer o filme aqui. Talvez também coubesse uma busca e apreensãozinha para saber o que aconteceu ali.”

O que investiga a Polícia Federal

A Polícia Federal apura se Jaques Wagner atuou em favor de projetos considerados estratégicos para o Banco Master e empresas associadas ao grupo. Entre os temas citados estão propostas relacionadas à ampliação do crédito consignado, mudanças no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e ações parlamentares ligadas à tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).

A Operação Compliance Zero teve início em novembro de 2025. Inicialmente voltada para suspeitas sobre a emissão de títulos financeiros sem garantias suficientes, a investigação foi ampliada e passou a incluir apurações sobre lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial, corrupção, uso indevido de informações sigilosas e possíveis repasses a agentes públicos.

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