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Haddad diz que caso Master é muito grave e cobra rastreamento do dinheiro

Ministro da Fazenda afirma que fraude pode ser a maior da história bancária e defende recuperação integral dos recursos desviados

Ministro da Fazenda Fernando Haddad em Brasília 13/1/2026 REUTERS/Adriano Machado (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (3) em entrevista à BandNews FM que a fraude envolvendo o Banco Master é “muito grave” e defendeu que as autoridades rastreiem e recuperem o dinheiro desviado. Segundo ele, o episódio atingiu uma dimensão inédita no sistema financeiro brasileiro e precisa ser esclarecido com total transparência, com responsabilização dos envolvidos.

Haddad disse ter ficado surpreso com a proporção do caso, que levou o Banco Central a decretar a liquidação extrajudicial da instituição. “Fico perplexo com o tamanho que o problema atingiu, uma proporção absurda. Espero que as investigações levem aos responsáveis. Está sendo visto como a maior fraude bancária da história do Brasil. Alguém tem que tomar a providência de recuperar esse dinheiro, de rastrear, e colocar em pratos limpos o que aconteceu. É muito grave”, afirmou o ministro.

O Banco Master foi liquidado em novembro, após o Banco Central identificar uma profunda crise de liquidez, caracterizada pela falta de recursos para honrar compromissos básicos, como o pagamento de clientes e investidores. Haddad explicou que o Ministério da Fazenda só tomou conhecimento da real dimensão do problema no ano passado, quando Gabriel Galípolo assumiu a presidência da autoridade monetária.

Para o ministro, Galípolo recebeu uma situação já deteriorada ao chegar ao cargo. Haddad avaliou que o atual presidente do Banco Central “herdou um abacaxi” e enfrentou uma crise já instalada. Na avaliação dele, a condução do caso pelo BC seguiu os procedimentos corretos. “Galípolo tomou as medidas necessárias, inclusive com envolvimento do Ministério Público e Polícia Federal quando era o caso. Em crime, o BC não atua. Ele é o supervisor das instituições financeiras”, disse.

Em depoimento às investigações, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, revelou que o Banco Master possuía apenas R$ 4 milhões em caixa no momento da liquidação, valor considerado incompatível com o porte da instituição. O dado reforçou o diagnóstico de insolvência e a decisão pela intervenção.

As apurações também alcançam operações envolvendo o Banco de Brasília (BRB). Segundo as investigações, o BRB adquiriu cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito consideradas problemáticas, que não pertenciam ao Banco Master e não tinham garantias financeiras. Ainda de acordo com Ailton de Aquino, a instituição pode precisar de mais de R$ 5 bilhões para cobrir o rombo gerado por essas operações.

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