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Interpol e drogas: Quem é o ex-NBA que teria sido alvo de plano de emboscada ligado a Vorcaro

De acordo com diálogos interceptados pela PF, Vorcaro teria planejado uma ação para se vingar de Seikaly

Ronald Fred Seikaly, ex-jogador da NBA e DJ, foi citado em mensagens interceptadas pela PF em investigação sobre grupo pago por Daniel Vorcaro (Foto: Reprodução)
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247 - O ex-jogador da NBA Ronald Fred Seikaly, conhecido como Rony Seikaly, teria sido alvo de um plano de emboscada articulado por integrantes de um grupo criminoso supostamente financiado por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, as informações são do jornal O Globo.

De acordo com diálogos interceptados pela PF (Polícia Federal), Vorcaro teria planejado uma ação para se vingar de Seikaly, que teve um relacionamento com Martha Graeff, namorada do banqueiro à época. Martha tem uma filha com o ex-atleta.

Nascido em Beirute, no Líbano, em 1965, Ronald Fred Seikaly fez carreira no basquete norte-americano entre o fim dos anos 1980 e a década de 1990. Ele iniciou sua trajetória na NBA pelo Miami Heat, em 1989, e também atuou por New Jersey Nets, Golden State Warriors e Orlando Magic.

Após deixar as quadras, Seikaly passou a atuar como DJ e produtor de house music. Em seu perfil no Instagram, onde reúne cerca de 152 mil seguidores, ele se apresenta como artista musical e produtor. Na descrição da rede social, escreveu: “Haverá pessoas que duvidarão da sua jornada, paixão e desejo. Seguir em frente é o que acabará por definir você!”.

Segundo a investigação, Seikaly teria sido monitorado pela chamada “Turma”, grupo apontado pela PF como responsável por intimidar, espionar e perseguir desafetos de Daniel Vorcaro. O grupo teria usado informações sigilosas obtidas em sistemas internos da Polícia Federal e do Ministério Público Federal para levantar dados sobre o ex-jogador, incluindo consultas ao sistema de controle migratório.

Plano teria envolvido droga, pressão policial e Interpol

As conversas analisadas pela PF ocorreram em outubro de 2024 e envolveram Daniel Vorcaro e Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, que morreu por suicídio na prisão. Nos diálogos, o dono do Banco Master teria cogitado uma ação que envolveria drogas contra Seikaly.

De acordo com o relatório policial, Vorcaro também mencionou a possibilidade de usar “pressão da milícia e da polícia” contra o ex-NBA. Em outra frente, integrantes da Turma chegaram a produzir um ofício falso à Interpol, usando o login de uma servidora do Ministério Público Federal, para buscar informações sobre Seikaly.

A apuração aponta ainda que Vorcaro pediu que fosse envolvida no plano uma pessoa chamada por ele de “amigo da Interpol”. Os investigadores, no entanto, não conseguiram identificar quem seria esse contato citado nas mensagens.

Em uma das conversas de outubro de 2024, Luiz Phillipi Mourão levantou a possibilidade de atrair Seikaly ao Brasil para uma apresentação como DJ. Vorcaro, então, encaminhou mensagens recebidas sobre a estratégia.

“Pressão milícia e polícia. Mas acho que a pressão da Interpol vai assustar mais”.

A investigação também identificou uma mensagem em que Vorcaro demonstrava a importância do caso para ele. No diálogo, o banqueiro afirmou que estava disposto a gastar uma quantia milionária para atingir Seikaly.

“Vou por 10MM (milhões) na mesa fora os custos para dar uma lição nesse cara e ensinar que com filho não se mexe”.

Apesar da menção feita por Vorcaro, o relatório da PF não esclarece exatamente a que episódio o banqueiro se referia ao dizer que seria necessário “ensinar que com filho não se mexe”.

Grupo teria usado estrutura criminosa contra desafetos

As investigações apontam que a Turma atuava como uma espécie de núcleo paralelo contratado para executar ações de intimidação, espionagem e obstrução. O grupo teria sido pago por Vorcaro para monitorar adversários, acessar dados protegidos e planejar medidas contra pessoas consideradas desafetos do empresário.

Em outra conversa, registrada em 30 de outubro de 2024, o ex-delegado da Polícia Federal Marilson Roseno Silva, também apontado como integrante da Turma, afirmou que repassaria informações a um dos agentes ligados a Vorcaro. Na mensagem, ele indicou que a demanda seria “para o CEO do banco” e que seria interessante “dar um pulão nele” quando Seikaly chegasse ao Brasil.

Silva é um policial federal aposentado e foi identificado nas apurações como a liderança operacional da Turma. Segundo a PF, ele integrava o núcleo de “intimidação e obstrução da Justiça” e coordenava ações agressivas contra desafetos do ex-banqueiro.

Ainda conforme a investigação, esse núcleo seria responsável por monitorar inquéritos sigilosos, realizar consultas indevidas em sistemas da corporação e planejar ações contra alvos definidos por Vorcaro.

Caso Master tem novos desdobramentos

O episódio envolvendo Ronald Fred Seikaly aparece em meio a uma série de novos desdobramentos da investigação sobre Daniel Vorcaro, o Banco Master e a atuação da Turma. A PF apura se o grupo foi usado para intimidar pessoas, acessar informações sigilosas e interferir em investigações de interesse do empresário.

As mensagens interceptadas indicam que o ex-NBA entrou na mira do grupo por sua relação anterior com Martha Graeff, então namorada de Vorcaro. A partir disso, segundo a PF, teriam sido discutidas formas de pressionar ou atingir o DJ, incluindo a tentativa de atraí-lo ao Brasil e o uso de contatos em órgãos policiais ou internacionais.

O material reunido pelos investigadores ainda não esclarece se alguma das ações planejadas chegou a ser executada contra Seikaly. As conversas, porém, são tratadas pela PF como parte do funcionamento de uma estrutura voltada à intimidação de desafetos de Vorcaro e à obtenção ilegal de informações sigilosas.

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