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Kassab amplia PSD e filia governador de Rondônia após saída do União Brasil

Movimento reforça peso do PSD entre governadores e no Senado e redesenha articulações da direita para 2026

Marcos Rocha e Gilberto Kassab (Foto: Reprodução/X/@gilbertokassab)

247 - O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, filiou na sexta-feira (30) o governador de Rondônia, Marcos Rocha, consolidando mais um movimento de peso no tabuleiro político nacional. A adesão marca a segunda migração de um chefe de Executivo estadual do União Brasil para o PSD em menos de uma semana e reforça a estratégia do partido de ampliar sua presença institucional em ano pré-eleitoral, relata a Folha de São Paulo.

A nova filiação ocorre poucos dias depois de Kassab anunciar a entrada do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também egresso do União Brasil, em um acordo político que envolve ainda Ratinho Junior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). O entendimento prevê a construção de uma candidatura única à Presidência da República no campo da direita, com definição baseada em pesquisas previstas para abril. A articulação surpreendeu lideranças políticas e abriu uma fissura no bloco conservador, ao isolar a postulação ligada ao clã Bolsonaro, hoje representada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Conhecido como Coronel Marcos Rocha, o governador de Rondônia tem histórico de alinhamento com Bolsonaro. Ex-integrante da Polícia Militar de Rondônia, ele foi reeleito em 2022 com apoio do então presidente e já se manifestou publicamente contra a prisão do ex-mandatário, condenado a mais de 27 anos por liderar uma trama golpista após a derrota eleitoral para Lula (PT). Com a mudança partidária, Rocha passa a ser apontado como potencial candidato ao Senado em 2026, o que pode fortalecer a bancada pessedista na Casa.

No plano estadual, a chegada do governador de Rondônia amplia a liderança do PSD entre os Executivos regionais. Antes da filiação, a sigla já detinha o maior número de governadores do país, com cinco dos 27 estados, e agora passa a comandar seis administrações estaduais. O avanço consolida o PSD como um dos principais polos de poder institucional no início de 2026.

A ofensiva de Kassab é considerada a movimentação mais relevante do xadrez eleitoral neste começo de ano. Até então, a principal incógnita no campo da direita era a consolidação da candidatura de Flávio Bolsonaro ou a eventual entrada do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na disputa presidencial. Com a permanência da família Bolsonaro na linha de frente, Kassab decidiu articular uma alternativa, inserindo um terceiro eixo.

Ratinho Junior, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado já haviam manifestado interesse em concorrer ao Palácio do Planalto e agora acertaram que apenas um deles representará o grupo. A escolha será feita com base no desempenho em pesquisas, e, se a decisão fosse tomada hoje, o governador do Paraná despontaria como favorito. Kassab avalia que um nome do PSD pode alcançar patamar semelhante aos cerca de 20% atribuídos a Flávio Bolsonaro nos levantamentos recentes.

Em um eventual segundo turno contra o presidente Lula, a estratégia seria atrair tanto o eleitorado mais à direita quanto parcelas do centro que não se identificam com o petista, mas rejeitam o bolsonarismo mais radical. Ainda assim, o próprio entorno do PSD reconhece que o cenário permanece aberto. Caso a candidatura não se viabilize, Kassab se coloca como “kingmaker”, expressão usada para definir o aliado decisivo em uma eleição presidencial.

Essa posição dialoga com a tradição do PSD de evitar alinhamentos automáticos. Kassab, que integra o governo paulista de Tarcísio de Freitas, indicado por Bolsonaro, mantém ao mesmo tempo três ministérios na gestão Lula. O dirigente já afirmou que os ministros têm liberdade para permanecer nos cargos e que uma eventual candidatura própria do partido não seria interpretada como um ataque direto ao presidente.

A movimentação, no entanto, intensificou as críticas do bolsonarismo ao presidente do PSD. Aliados de Bolsonaro passaram a sugerir que Kassab poderia, inclusive, apoiar Lula já no primeiro turno. Também houve desgaste na relação com Tarcísio após Kassab comentar ao UOL que a visita do governador paulista a Bolsonaro na prisão demonstrava caráter, mas não deveria transmitir submissão. Tarcísio rebateu publicamente a avaliação, o que levou aliados a especular sobre o futuro da relação política entre ambos.

Nesse contexto, ganha força a leitura de que o PSD caminha para se tornar o maior partido do país em diferentes níveis de poder, consolidando-se como parceiro estratégico indispensável para qualquer projeto presidencial competitivo nos próximos anos.

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