Kassab gera impasse político em Minas ao bancar três nomes ao Planalto
Decisão do PSD para 2026 expõe contradições entre alianças estaduais e presidenciais e tensiona articulação da direita mineira
247 - A definição do PSD de lançar candidatura própria à Presidência da República em 2026 provocou um impasse político em Minas Gerais e expôs contradições dentro da articulação da direita no estado. A decisão partiu do presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, e atinge diretamente o arranjo local liderado pelo vice-governador Matheus Simões, pré-candidato ao governo mineiro e aliado declarado do governador Romeu Zema, que também se coloca na corrida presidencial pelo partido Novo.
A situação foi revelada em reportagem da revista Veja, que detalha o desconforto criado após Kassab afirmar, em evento realizado na Bolsa de Valores de São Paulo, na sexta-feira (30), que o PSD apoiará um nome próprio na disputa ao Planalto. “Em Minas Gerais, o PSD é o maior partido do estado e vai apoiar o nosso candidato [à Presidência]”, declarou o dirigente partidário.
A fala de Kassab entrou em choque com a posição pública de Matheus Simões, que reafirmou sua lealdade política a Romeu Zema. Procurado pela Veja, o vice-governador negou qualquer possibilidade de dividir palanque e foi categórico ao reiterar o compromisso assumido quando se filiou ao PSD. “Estarei sem dúvida ao lado de Zema, o que é condição prévia da minha filiação [ao PSD]. Em Minas, o PSD caminha com Zema”, afirmou.
O impasse ganha maior relevância porque, apesar de aparecer com baixos índices nas pesquisas de intenção de voto — geralmente abaixo de 5% —, Simões conduz uma ampla articulação da direita em Minas Gerais. O bloco já reúne partidos como PSD, Novo, PL, PP e União Brasil, com expectativa de incorporar também o Republicanos, consolidando uma frente estadual que, agora, se vê pressionada por divergências nacionais.
Questionado sobre a possibilidade de palanque duplo em Minas, Kassab minimizou o problema e comparou a situação a outros estados. “Em Minas não é diferente de São Paulo, onde eu [o PSD] vou apoiar o meu candidato [à Presidência] e o Tarcísio vai apoiar o Flávio. Não é diferente do Rio, onde o presidente Lula quer apoiar o Eduardo Paes, e uma parte expressiva do nosso partido vai apoiar o nosso candidato. Enquanto nós tivermos no Brasil a coligação majoritária, sempre haverá essa situação em um estado ou outro”, disse.
A comparação, no entanto, esbarra em uma particularidade mineira: a relação direta de lealdade política entre um vice-governador e um pré-candidato presidencial, situação que não se repete nos exemplos citados por Kassab em São Paulo e no Rio de Janeiro.
O PSD, por sua vez, abriga atualmente três pré-candidaturas à Presidência da República — dos governadores Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), Ronaldo Caiado (Goiás) e Ratinho Jr. (Paraná) — e afirma que anunciará em breve qual deles será o escolhido. Mesmo reconhecendo as dificuldades iniciais enfrentadas por Matheus Simões, Kassab demonstrou otimismo em relação ao desempenho do aliado em Minas.
“Quando a pessoa sai candidata à majoritária pela primeira vez ela demora a crescer, porque não tem o recall. Lá [em Minas Gerais], o vice-governador, Matheus Simões, é um bom gestor, uma pessoa séria, vai assumir o governo agora em março, nunca foi candidato e não vai crescer nas pesquisas enquanto não começar a campanha. Eu tenho muita esperança de que ele cresça, porque é, realmente, muito bem preparado para Minas Gerais”, afirmou o presidente do PSD.


