HOME > Brasil

Lindbergh aposta na manutenção do veto de Lula ao PL da dosimetria: “temos condições”

Líder do PT diz que base tem votos para manter veto presidencial e promete mobilização contra proposta que reduz penas do 8 de janeiro

Lindbergh Farias (Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados)

247 - O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (PT-RJ), afirmou nesta quarta-feira (7) que a base do governo Luiz Inácio Lula da Silva reúne condições políticas e numéricas para manter o veto presidencial ao projeto de lei da dosimetria, que reduz penas impostas aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

Segundo o parlamentar, a votação que aprovou o projeto ocorreu de forma atípica e pode ser revertida com articulação política nas próximas semanas. “Aquela votação foi marcada de uma hora para a outra. Aqui na Câmara houve 291 votos. No Senado, 48 votos. Então nós teríamos que reverter 34 votos. Que é uma tarefa muito possível. Porque o governo vai ter mais de um mês pra trabalhar isso. Trabalhar em cima dessa votação”, afirmou.

Lindbergh disse estar confiante de que o presidente Lula vetará o texto, o que pode ocorrer já quinta-feira (8). Para ele, a proposta representa uma interferência direta nas decisões do Supremo Tribunal Federal. “Dosimetria pra gente é anistia. É você interferir numa decisão do Supremo Tribunal Federal. Isso pra nós é completamente inconstitucional. Estou muito esperançoso que o Presidente vai vetar e que a gente vai manter o veto”, declarou.

O deputado informou que, após o veto, a base governista pretende intensificar uma campanha de mobilização junto à sociedade, com foco na atuação dos parlamentares. “Nós vamos fazer uma campanha na sociedade. Vamos trabalhar com o placar, os nomes dos parlamentares. O ano já começa como um ano de eleição. Então a gente acha que essa é uma tarefa plenamente possível de a gente obter êxito quando voltarmos aos trabalhos parlamentares”, disse.

Ele acrescentou que o cenário eleitoral pode favorecer o governo nas negociações. “Tem que ter um trabalho articulado, nome a nome, conversas com cada parlamentares, e eu acho que a proximidade da eleição de 2026 nos ajuda nessa tarefa”, completou.

Lindbergh também afirmou ter expectativa de que o veto presidencial sequer seja analisado pelo Congresso. “Vamos começar 2026 paralisando os trabalhos?”, questionou.

Ao comentar a ausência dos presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), no evento em memória dos atos golpistas de 8 de janeiro, o líder do PT avaliou a decisão como previsível, por ambos serem candidatos à reeleição. Segundo ele, a escolha do momento do veto cabe exclusivamente ao presidente da República. “Já que Motta e Alcolumbre não estarão presentes, é uma decisão de Lula vetar amanhã ou depois”, afirmou.

Artigos Relacionados