Lindbergh cobra PGR por denúncia contra Flávio Bolsonaro por calúnia sobre Lula
Deputado afirma que relatório da PF exige resposta do Ministério Público após senador atribuir crimes graves ao presidente Lula
247 - O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) cobrou neste sábado (27) que a Procuradoria-Geral da República (PGR) denuncie o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por calúnia contra o presidente Lula (PT), após a Polícia Federal concluir que o parlamentar atribuiu falsamente ao chefe do Executivo crimes como tráfico de drogas, tráfico de armas e lavagem de dinheiro.
Segundo Lindbergh, a conclusão da Polícia Federal não pode ser ignorada pela PGR. “O mentiroso no banco dos réus? A PGR precisa denunciar Flávio Bolsonaro por calúnia contra o presidente Lula”, escreveu o deputado. Ele afirmou ainda que “mentira dessa gravidade não pode terminar em gaveta”.
A manifestação do parlamentar petista ocorre depois que a PF encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF), na sexta-feira (26), relatório no qual aponta que Flávio Bolsonaro praticou o crime de calúnia contra Lula. A apuração havia sido aberta em abril e foi conduzida pelo delegado Antônio Carlos Knoll.
No documento enviado ao STF, a Polícia Federal afirma que a conduta do senador se enquadra no artigo 138 do Código Penal, combinado com o artigo 141, inciso I e § 2º, que trata de agravantes quando o crime é cometido contra o presidente da República e por meios que facilitem sua divulgação.
“Resta claro o cometimento, pelo senador Flávio Nantes Bolsonaro, do crime tipificado no art. 138 c/c art. 141, inciso I e § 2° do Código Penal”, registra o relatório da PF.
A investigação analisou uma publicação feita por Flávio Bolsonaro na rede X em 3 de janeiro, data em que ocorreu o sequestro do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por forças dos Estados Unidos. Na postagem, o senador afirmou: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas…”.
Para a Polícia Federal, a mensagem associou a imagem de Lula à de Maduro e sugeriu que o presidente brasileiro estaria envolvido nos crimes listados pelo próprio senador. O relatório afirma que, ao dizer que Lula seria “delatado”, Flávio Bolsonaro vinculou essa suposta delação a acusações graves, sem apresentar elementos que sustentassem a imputação.
“No entendimento do senador, os crimes pelos quais o presidente Lula seria delatado estão listados na sequência da postagem, quais sejam, tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras e eleições fraudadas”, afirmou a Polícia Federal no relatório.
Na postagem deste sábado, Lindbergh afirmou que Flávio Bolsonaro tentou transformar uma acusação criminosa em instrumento de disputa política. “Flávio tentou transformar uma acusação criminosa inventada em arma política. Atacou a honra do presidente da República, enganou seus seguidores e usou a mentira como palanque”, declarou.
O deputado também associou o episódio ao que chamou de “método bolsonarista”. “Esse é o método bolsonarista: criar escândalos falsos para esconder os escândalos reais que cercam seu próprio grupo. Agora cabe à PGR agir. Se a PF concluiu que houve calúnia, a resposta deve ser a denúncia”, escreveu Lindbergh.
Ao final da manifestação, o parlamentar voltou a cobrar explicações de Flávio Bolsonaro sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. “Além de responder pelas mentiras, Flávio precisa explicar: cadê os R$ 78 milhões que tomou do Vorcaro?”, questionou.
Com o envio dos autos ao Supremo, caberá agora ao STF adotar as providências que considerar cabíveis e à Procuradoria-Geral da República avaliar se apresentará denúncia contra o senador.



