Lula aposta em influenciadores para explorar relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro
Campanha de Lula vai realizar ofensiva nas redes contra Flávio Bolsonaro
247 - A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara uma ofensiva digital contra o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato ao Palácio do Planalto, após o avanço da hashtag “Tariflávio” nas redes sociais. A estratégia, segundo informações do Estadão, inclui o uso de influenciadores digitais, lideranças políticas e núcleos de ativistas para ampliar mensagens favoráveis ao governo, rebater acusações classificadas pela campanha como fake news e explorar a relação entre Flávio e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
De acordo com o Estadão, a avaliação no entorno de Lula é que o período da Copa do Mundo poderá ser usado para intensificar a comunicação política e contrastar a gestão petista com a do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A nova etapa da estratégia prevê a entrada em cena dos chamados “Porta-Vozes do Lula”, grupos organizados para distribuir conteúdo nas redes sociais em defesa do governo e do presidente.
A ofensiva digital também mira a candidatura de Flávio Bolsonaro. Conforme o relato, aliados de Lula pretendem desgastar o senador de forma gradual, mantendo denúncias consideradas mais robustas para os momentos finais da campanha. A estrutura prevista envolve ao menos 40 mil núcleos de ativistas espalhados pelo país, com a missão de impulsionar mensagens em diferentes plataformas.
Relação com Daniel Vorcaro entra no centro da disputa
A aproximação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro passou a ser tratada por aliados de Lula como um dos principais pontos de vulnerabilidade do senador. Enquanto Vorcaro evita envolver diretamente o filho mais velho de Jair Bolsonaro em suas tentativas de colaboração premiada, integrantes da campanha petista afirmam ter elementos sobre a relação entre o parlamentar, o dono do Banco Master e operadores financeiros ligados ao empresário.
Entre os materiais mencionados estaria um vídeo de Flávio Bolsonaro em uma confraternização com Vorcaro. O encontro teria ocorrido em uma fazenda do empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, também preso. Segundo a Polícia Federal, Zettel teria atuado como braço direito do banqueiro em atividades ilícitas.
Flávio Bolsonaro já admitiu, em entrevista à CNN, a possibilidade de que um vídeo ao lado de Vorcaro venha a público durante a disputa eleitoral. O senador afirmou que poderia vazar um “videozinho” dele com o banqueiro, mas sustentou que a relação entre ambos era “apenas” voltada a tratativas sobre o filme Dark Horse, produção que narra a trajetória política de Jair Bolsonaro.
Áudio sobre filme abalou campanha do senador
A relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro ganhou maior repercussão no mês passado, quando veio à tona um áudio em que o senador negocia com o banqueiro um aporte de aproximadamente R$ 134 milhões para a produção do filme. A revelação afetou a campanha de Flávio e passou a ser explorada por adversários políticos.
Novos documentos divulgados pelo site The Intercept nesta terça-feira (9), detalharam em planilhas o caminho percorrido pelo dinheiro. De acordo com investigações da Polícia Federal, parte dos recursos teria sido usada para custear a estadia do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, nos Estados Unidos.
O episódio reforçou a aposta da campanha de Lula em uma ofensiva digital voltada a associar Flávio Bolsonaro a Vorcaro e aos desdobramentos das investigações. A avaliação entre aliados do presidente é que o tema pode ganhar peso eleitoral caso novas informações sejam divulgadas ao longo da campanha.
“Tariflávio” vira munição política nas redes
Além do caso envolvendo Vorcaro, a campanha de Lula pretende explorar a repercussão da hashtag “Tariflávio”, que ganhou força após o Escritório de Representação Comercial da Casa Branca propor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi sugerida no contexto de uma investigação que acusa o Brasil de práticas comerciais desleais e chegou a citar o Pix.
O anúncio ocorreu poucos dias depois de um encontro entre Flávio Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Para a campanha petista, a coincidência política abriu espaço para associar o senador à sobretaxa contra produtos brasileiros e reforçar o discurso de defesa da soberania nacional.
Durante a Copa do Mundo, esse tema deve ser explorado por Lula, por Flávio Bolsonaro e também por outros pré-candidatos com menor desempenho nas pesquisas, como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). A soberania nacional tende a ocupar espaço central no debate político, em meio à tentativa de cada candidatura de se posicionar diante da ameaça de tarifaço contra o Brasil.
No campo governista, a leitura é que a hashtag “Tariflávio” ajudou Lula a recuperar espaço político e deslocar a pressão para o senador. A campanha pretende usar a mobilização digital para manter o tema em circulação, ao mesmo tempo em que reforça comparações entre o governo atual e a gestão Bolsonaro.
A disputa, no entanto, ainda dependerá da capacidade de Flávio Bolsonaro de se desvincular da imagem construída por adversários nas redes e de responder aos questionamentos sobre sua relação com Daniel Vorcaro. Para aliados de Lula, a combinação entre o caso Banco Master, a repercussão do filme Dark Horse e a proposta de tarifa sobre produtos brasileiros abriu uma nova frente de desgaste contra o principal desafiante do presidente.



