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Lula aposta em influenciadores para explorar relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro

Campanha de Lula vai realizar ofensiva nas redes contra Flávio Bolsonaro

Lula aposta em influenciadores para explorar relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro (Foto: Ricardo Stuckert/PR | Reprodução/Youtube)
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247 - A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara uma ofensiva digital contra o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato ao Palácio do Planalto, após o avanço da hashtag “Tariflávio” nas redes sociais. A estratégia, segundo informações do Estadão, inclui o uso de influenciadores digitais, lideranças políticas e núcleos de ativistas para ampliar mensagens favoráveis ao governo, rebater acusações classificadas pela campanha como fake news e explorar a relação entre Flávio e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

De acordo com o Estadão, a avaliação no entorno de Lula é que o período da Copa do Mundo poderá ser usado para intensificar a comunicação política e contrastar a gestão petista com a do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A nova etapa da estratégia prevê a entrada em cena dos chamados “Porta-Vozes do Lula”, grupos organizados para distribuir conteúdo nas redes sociais em defesa do governo e do presidente.

A ofensiva digital também mira a candidatura de Flávio Bolsonaro. Conforme o relato, aliados de Lula pretendem desgastar o senador de forma gradual, mantendo denúncias consideradas mais robustas para os momentos finais da campanha. A estrutura prevista envolve ao menos 40 mil núcleos de ativistas espalhados pelo país, com a missão de impulsionar mensagens em diferentes plataformas.

Relação com Daniel Vorcaro entra no centro da disputa

A aproximação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro passou a ser tratada por aliados de Lula como um dos principais pontos de vulnerabilidade do senador. Enquanto Vorcaro evita envolver diretamente o filho mais velho de Jair Bolsonaro em suas tentativas de colaboração premiada, integrantes da campanha petista afirmam ter elementos sobre a relação entre o parlamentar, o dono do Banco Master e operadores financeiros ligados ao empresário.

Entre os materiais mencionados estaria um vídeo de Flávio Bolsonaro em uma confraternização com Vorcaro. O encontro teria ocorrido em uma fazenda do empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, também preso. Segundo a Polícia Federal, Zettel teria atuado como braço direito do banqueiro em atividades ilícitas.

Flávio Bolsonaro já admitiu, em entrevista à CNN, a possibilidade de que um vídeo ao lado de Vorcaro venha a público durante a disputa eleitoral. O senador afirmou que poderia vazar um “videozinho” dele com o banqueiro, mas sustentou que a relação entre ambos era “apenas” voltada a tratativas sobre o filme Dark Horse, produção que narra a trajetória política de Jair Bolsonaro.

Áudio sobre filme abalou campanha do senador

A relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro ganhou maior repercussão no mês passado, quando veio à tona um áudio em que o senador negocia com o banqueiro um aporte de aproximadamente R$ 134 milhões para a produção do filme. A revelação afetou a campanha de Flávio e passou a ser explorada por adversários políticos.

Novos documentos divulgados pelo site The Intercept nesta terça-feira (9), detalharam em planilhas o caminho percorrido pelo dinheiro. De acordo com investigações da Polícia Federal, parte dos recursos teria sido usada para custear a estadia do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, nos Estados Unidos.

O episódio reforçou a aposta da campanha de Lula em uma ofensiva digital voltada a associar Flávio Bolsonaro a Vorcaro e aos desdobramentos das investigações. A avaliação entre aliados do presidente é que o tema pode ganhar peso eleitoral caso novas informações sejam divulgadas ao longo da campanha.

“Tariflávio” vira munição política nas redes

Além do caso envolvendo Vorcaro, a campanha de Lula pretende explorar a repercussão da hashtag “Tariflávio”, que ganhou força após o Escritório de Representação Comercial da Casa Branca propor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi sugerida no contexto de uma investigação que acusa o Brasil de práticas comerciais desleais e chegou a citar o Pix.

O anúncio ocorreu poucos dias depois de um encontro entre Flávio Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Para a campanha petista, a coincidência política abriu espaço para associar o senador à sobretaxa contra produtos brasileiros e reforçar o discurso de defesa da soberania nacional.

Durante a Copa do Mundo, esse tema deve ser explorado por Lula, por Flávio Bolsonaro e também por outros pré-candidatos com menor desempenho nas pesquisas, como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). A soberania nacional tende a ocupar espaço central no debate político, em meio à tentativa de cada candidatura de se posicionar diante da ameaça de tarifaço contra o Brasil.

No campo governista, a leitura é que a hashtag “Tariflávio” ajudou Lula a recuperar espaço político e deslocar a pressão para o senador. A campanha pretende usar a mobilização digital para manter o tema em circulação, ao mesmo tempo em que reforça comparações entre o governo atual e a gestão Bolsonaro.

A disputa, no entanto, ainda dependerá da capacidade de Flávio Bolsonaro de se desvincular da imagem construída por adversários nas redes e de responder aos questionamentos sobre sua relação com Daniel Vorcaro. Para aliados de Lula, a combinação entre o caso Banco Master, a repercussão do filme Dark Horse e a proposta de tarifa sobre produtos brasileiros abriu uma nova frente de desgaste contra o principal desafiante do presidente.

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