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Lula atua para blindar governo do caso Master

Planalto articula reforço à investigação e evita vincular diretamente o governo federal ao escândalo financeiro

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva 13/01/2026 REUTERS/Adriano Machado (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem adotado uma estratégia cautelosa para tentar minimizar o impacto político do escândalo envolvendo o Banco Master, segundo reportagem da CNN Brasil. A preocupação de integrantes do governo é que o episódio, que já se transformou em uma grande investigação envolvendo fraudes financeiras e medidas judiciais, prejudique a imagem do Executivo às vésperas das eleições de 2026.

No Palácio do Planalto a avaliação interna é de que o principal impacto negativo do caso até o momento recai sobre a Corte, especialmente no que diz respeito à atuação do ministro Dias Toffoli, criticado inclusive por aliados do próprio governo. 

O episódio, que envolve a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central e investigações por supostas fraudes financeiras, tem sido tratado por Lula como uma questão que deve ser conduzida por instituições independentes. A ideia central é reforçar que o combate a irregularidades não distingue classe social ou posição econômica, e que tanto empresários quanto banqueiros podem responder por eventuais crimes descobertos pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Autoridades do governo afirmam que Lula não planeja mobilizar sua base parlamentar para barrar uma possível Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Banco Master no Congresso. A estratégia oficial é reconhecer a prerrogativa do Legislativo em instaurar comissões de inquérito, mantendo uma postura institucional que não tensione ainda mais as relações entre os poderes. 

Em declarações recentes, o presidente frisou a importância de colocar o tema no contexto mais amplo da luta contra o crime organizado e fraudes financeiras. Em evento público, Lula teria usado termos fortes ao criticar defesas públicas de figuras ligadas ao caso: “Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado, enquanto um cidadão, como esse do Banco Master, que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões… está cheio de gente que falta um pouco de vergonha na cara neste país”.

Nos bastidores, assessores ressaltam que o tom adotado por Edson Fachin, presidente do STF, em nota recente também não teria contribuído para aliviar a crise institucional que se formou em torno do episódio. Algumas alas da Corte discutem, inclusive, a possibilidade de devolver o caso à primeira instância para reduzir o desgaste da imagem da instituição. 

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