Lula defende cautela sobre acordo UE-Mercosul
Presidente orienta governo a evitar comemorações antes da conclusão formal do pacto comercial em Bruxelas
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou integrantes do governo a manter uma postura de cautela em relação à conclusão do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. A diretriz é aguardar a finalização de todos os trâmites formais no bloco europeu antes de qualquer manifestação oficial do Brasil, evitando antecipações ou celebrações prematuras. As informações são da CNN Brasil.
A estratégia do Planalto é esperar o anúncio formal da União Europeia, previsto para ocorrer apenas após o encerramento dos procedimentos institucionais na Bélgica. A avaliação interna é de que o histórico de negociações do acordo, iniciado há cerca de 26 anos, recomenda prudência diante do risco de novos adiamentos.
O sinal verde mais recente partiu do Conselho Europeu, instância que reúne os chefes de Estado da União Europeia. O colegiado formou maioria superior a 55% dos países do bloco a favor da aprovação do pacto. A expectativa é de que essa posição seja ratificada até o início da tarde, mas, até lá, o governo brasileiro opta por aguardar. Segundo um ministro ouvido pela reportagem, a orientação é não “colocar a carroça na frente dos bois”.
Mesmo com o avanço político, a etapa final do processo incluiu negociações de última hora. A Itália condicionou seu apoio à inclusão de um critério mais rigoroso para a suspensão de importações agrícolas. O governo italiano solicitou a redução de 8% para 5% do limite que autoriza a interrupção das compras externas caso os preços agrícolas europeus sofram queda significativa devido à concorrência de produtos da América Latina.
Apesar das salvaguardas e exceções incorporadas ao texto, a expectativa é de que o acordo represente um marco histórico no comércio internacional. Estudos indicam que o pacto poderá impulsionar a economia brasileira em cerca de 0,46%. De acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Brasil tende a obter ganhos proporcionais superiores aos da própria União Europeia e também aos de outros países do Mercosul, caso o acordo seja efetivamente implementado.



