PT articula ofensiva política para preservar veto de Lula à Dosimetria
Partido aposta em campanha até o carnaval e mira o centrão para impedir que o Congresso derrube a decisão presidencial sobre o projeto
247 - O Partido dos Trabalhadores prepara uma mobilização política intensa nas próximas semanas com o objetivo de impedir que o Congresso Nacional derrube o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto de lei da dosimetria das penas dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. A estratégia inclui uma campanha pública até o carnaval, voltada a influenciar a opinião pública e, ao mesmo tempo, pressionar parlamentares considerados decisivos para o desfecho da votação. As informações são da CNN Brasil.
Embora a dosimetria das penas seja vista como um fator que reacende a polarização entre a esquerda e o bolsonarismo, o governo avalia que a condução política deve ficar mais concentrada no partido do que diretamente no Executivo, evitando desgastes institucionais.
Nos bastidores, o PT avalia que não pode transmitir a percepção de que o veto já está perdido. Por isso, a legenda direciona seus esforços a parlamentares do centrão, considerados fundamentais para manter a decisão presidencial. O cálculo político do partido leva em conta o resultado da votação na Câmara dos Deputados, onde o texto foi aprovado por 291 votos. Para preservar o veto, são necessários ao menos 257 deputados contrários à derrubada.
Diante desse cenário, dirigentes petistas trabalham com a meta de conquistar o apoio de cerca de 34 deputados, número considerado suficiente para barrar uma eventual reversão da decisão do Planalto. A leitura interna é de que, apesar da aprovação expressiva do projeto, ainda há margem para reverter posições, especialmente entre parlamentares sem alinhamento ideológico rígido.
No Senado, a avaliação é de que o cenário seja menos complexo. A proposta da dosimetria passou com 48 votos favoráveis, apenas sete acima da maioria simples exigida em uma Casa composta por 81 senadores. Esse resultado mais apertado é visto pelo PT como um indicativo de maior possibilidade de manter o veto presidencial entre os senadores.
Na outra ponta, o PL já se organiza para tentar derrubar a decisão de Lula. Lideranças da sigla chegaram a defender a convocação de uma sessão extraordinária ainda durante o recesso parlamentar de janeiro, exclusivamente para analisar o veto. A proposta, no entanto, não encontra respaldo no comando do Congresso e não deve prosperar sob a presidência do senador Davi Alcolumbre (União-AP).
Como parte da ofensiva política, aliados do bolsonarismo pretendem explorar casos emblemáticos ligados aos atos golpistas de 8 de Janeiro. Um dos exemplos citados é o de Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como “Débora do batom”, que escreveu a frase “perdeu, mané” na estátua em frente ao Supremo Tribunal Federal durante a invasão das sedes dos Três Poderes. O PL sustenta o discurso de que o veto representaria uma “vingança política” e insiste na narrativa de que as penas impostas aos condenados seriam “excessivas”.
Apesar da pressão da oposição, o PT aposta no ambiente da opinião pública como um trunfo adicional. Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada em dezembro aponta que 63,3% da população se declara contrária à dosimetria das penas, enquanto 34% se posicionam a favor. Para a legenda, esse dado reforça a viabilidade política de manter o veto e sustenta a estratégia de mobilização social como elemento central da disputa no Congresso.



