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Lula defende fim da escala 6x1 e redução da jornada sem corte salarial

Presidente afirma no Sem Censura que mudança para 40 horas semanais pode melhorar saúde, bem-estar e economia

Lula defende fim da escala 6x1 e redução da jornada sem corte salarial (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
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247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem corte salarial, durante edição especial do programa Sem Censura, apresentado por Cissa Guimarães, nesta sexta-feira (22).

Lula afirmou que a mudança pode melhorar a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida dos trabalhadores, além de gerar ganhos para a economia. Segundo ele, trabalhadores mais descansados vivem melhor, têm mais tempo para a família e podem produzir em melhores condições. “Eu, a vida inteira, trabalhei cinco dias por semana. A vida inteira. Eu muitas vezes ia trabalhar no sábado, porque eu queria fazer hora extra [...], mas eu sempre tive dois dias para descansar”, disse Lula.

O presidente relacionou o debate atual à luta histórica pela redução da jornada no Brasil. Ele lembrou que, desde os anos 1980, trabalhadores defendiam a carga semanal de 40 horas, após a redução de 48 para 44 horas conquistada na Constituinte. “Desde os anos 80, que a gente já brigava para reduzir a jornada de trabalho para 40 horas, a gente conseguiu na Constituinte, de 48 para 44, e a gente ficou brigando para reduzir para 40”, afirmou.

Para Lula, a redução da jornada não prejudicaria a economia. O presidente argumentou que os avanços tecnológicos ampliaram a produtividade das empresas nas últimas décadas e que o país já se adaptou a mudanças anteriores nas relações de trabalho.

Questionado sobre a resistência de empresários e do Congresso Nacional, Lula disse que a oposição à medida expressa uma mentalidade antiga sobre direitos trabalhistas. “Nós estamos trabalhando com a mentalidade retrógrada, de jeito que parece moderninho na televisão, mas no trato com o subordinado não tem nada de moderno”, declarou.

Lula também destacou a sobrecarga das mulheres, que muitas vezes acumulam trabalho remunerado, tarefas domésticas e cuidados com a família. Ao defender mais tempo livre para os trabalhadores, afirmou que a mudança beneficiaria especialmente os mais jovens. “Essa molecada que está aí, moleque de 18 anos, 19 anos, ele se puder ganhar a vida dele com mais liberdade, é bom para o país, é bom para eles”, disse.

O presidente defendeu que a mudança seja feita diretamente de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, mas reconheceu que o governo precisará negociar para tentar aprovar a proposta. “E a redução é a seguinte, nós defendemos que a redução seja de uma vez de 44 para 40, sabe, em fim de papo, sem reduzir salário. Obviamente que nós não temos força para aprovar tudo que a gente quer. Nós não temos força, então tem que negociar”, afirmou.

Segundo Lula, uma reunião será realizada na segunda-feira (25) com o presidente da Câmara e o ministro do Trabalho para discutir a negociação em torno do tema. Ele também cobrou que o Congresso assuma posição diante da sociedade.

“Não dá para aceitar ficar quatro anos, sabe, para fazer meia hora por ano, uma hora por ano, aí é brincar de fazer redução. Lógico. Então é o seguinte, está o projeto de lei, vota contra quem quiser, mas vamos mostrar para o povo quem é quem nesse país”, declarou.

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