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Lula defende queda dos juros e diz que vai chamar Galípolo

Presidente afirma que pretende conversar com chefe do BC e sugere que olhar para classe média pode levar à redução da taxa de juros

Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (15) que pretende conversar com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao mesmo tempo em que voltou a criticar o patamar da taxa de juros no país. Segundo Lula, uma mudança de perspectiva da autoridade monetária poderia contribuir para a redução dos juros, especialmente ao considerar a realidade de trabalhadores e da classe média.

A declaração foi feita durante um evento voltado ao anúncio de medidas econômicas para impulsionar o setor habitacional. Na ocasião, o presidente adotou um tom descontraído ao mencionar a intenção de dialogar com Galípolo.

Durante o discurso, Lula rebateu críticas de que o governo estaria focado apenas em beneficiários do Cadastro Único (CadÚnico) e afirmou que políticas públicas também contemplam trabalhadores com renda intermediária. “Uma pessoa que ganha R$ 10 mil, R$ 9 mil, R$ 11 mil, se for uma pessoa muito equilibrada, ele tem um dinherinho para pagar uma prestação de casa. E todo mundo quer trocar o aluguel por uma prestação de casa”, declarou.

O presidente também reforçou que a ampliação do programa habitacional busca atender esse público. “Todo mundo quer trocar. As pessoas têm que ter uma chance só. E esse é o papel desse programa. É tentar criar condições para que as pessoas tenham uma casa, porque se não o cara, pô, esse Lula só governa para o CadÚnico. E eu, e eu, que sou metalúrgico, que sou torneiro mecânico igual a ele. Por que eu não tenho direito de ter uma casa?”, questionou.

Segundo Lula, a partir dessa lógica, o governo decidiu elevar o padrão do programa Minha Casa, Minha Vida e trabalhar pela redução dos juros. Ele sugeriu que o Banco Central deveria considerar as ações do governo federal. “A gente pensou em elevador o padrão e baixar a taxa de juro, gente. Veja que se o Banco Central olhar pra nós, vai baixar a taxa de juros. O Banco Central precisa olhar o que o Tesouro fez, o que o Planejamento fez aqui. Quando o Galipolo voltar da viagem dele da Europa, eu vou dizer, olha, os 'meninos da gastança' estão reduzindo dinheiro”, afirmou.

O presidente não detalhou a quem se referia ao mencionar “os meninos da gastança”. A fala ocorre em meio a críticas recorrentes do chefe do Executivo às decisões do Banco Central sobre a política monetária.

Em março, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros, a Selic, para 14,75% ao ano, marcando o primeiro corte após um período de quase dois anos sem redução. A discussão sobre o nível dos juros segue como um dos principais pontos de tensão entre o governo federal e a autoridade monetária.

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