Lula defende renegociação do Fies para estudantes: “não podemos tirar o sonho de um jovem que está devendo”
Presidente propõe incluir alunos inadimplentes em negociação e reforça políticas de acesso e permanência no ensino superior
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo pretende incluir estudantes endividados do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) em programas de renegociação, ao defender novos investimentos em educação durante agenda em Sorocaba, nesta sexta-feira (10). A proposta integra um conjunto de ações voltadas à ampliação do acesso ao ensino e à permanência de jovens nas escolas e universidades.
As declarações foram feitas durante a inauguração do campus do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) no município, onde Lula destacou a necessidade de aliviar o endividamento estudantil e reafirmou o papel estratégico da educação para o desenvolvimento do país.
Ao abordar o Fies, o presidente reconheceu o crescimento das dívidas entre estudantes e defendeu medidas para evitar prejuízos ao futuro profissional desses jovens. “Está aumentando o endividamento dos meninos do Fies. E nós vamos ter que colocar eles também na nossa negociação de endividamento. Porque a gente não pode tirar o sonho de um jovem que está devendo o seu curso universitário”, afirmou.
Segundo Lula, a lógica do programa deve considerar o retorno social da formação desses estudantes. “Se ele dever e ele se formar, a gente sonha que um dia ele vai pagar a dívida dele. E ele vai pagar a dívida dele sendo um profissional competente”, disse, ao relacionar qualificação profissional com aumento da produtividade e competitividade do país.
O presidente também relembrou mudanças realizadas em gestões anteriores para ampliar o acesso ao financiamento estudantil, como a decisão de tornar o governo fiador de estudantes de baixa renda. “Qual foi a novidade que nós fizemos? É que o governo brasileiro passou a ser o fiador do estudante que precisava de dinheiro do Fies”, declarou.
Além do financiamento universitário, Lula apresentou dados sobre políticas educacionais recentes, incluindo avanços na alfabetização. Segundo ele, o percentual de crianças alfabetizadas até o segundo ano do ensino fundamental subiu de 36% para 66%, com meta de alcançar 80% até 2030. “Se a criança não se alfabetizar até o segundo ano, ela vai perder muito tempo no seu processo de vida educacional”, afirmou.
O presidente também mencionou iniciativas voltadas à valorização da carreira docente, como a concessão de bolsas para estudantes com melhor desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que optarem por cursos de licenciatura. “Nós não queremos os mais atrasados, nós queremos os mais adiantados”, disse.
Outro ponto destacado foi o programa de incentivo à permanência no ensino médio, com depósitos mensais para estudantes de baixa renda, o Pé-de-Meia. Lula explicou que a medida busca combater a evasão escolar motivada por dificuldades financeiras. “Nós descobrimos que 500 mil jovens desistiram da escola antes de terminar o ensino médio, porque tinham que ajudar no orçamento familiar”, afirmou.
Ao defender o aumento de investimentos no setor, Lula comparou os custos da educação com os do sistema prisional. “Um prisioneiro custa 35 mil reais por ano. Um estudante no Instituto Federal custa 16 mil reais por ano. Significa que é muito mais barato investir em educação do que investir em bandido”, declarou.
O evento em Sorocaba marcou a inauguração de uma nova unidade do IFSP, construída com recursos do Novo PAC, com 4,6 mil metros quadrados e estrutura voltada ao ensino técnico e tecnológico. Para o presidente, a expansão da rede federal é estratégica para o desenvolvimento nacional.


