Gleisi defende Lula e destaca 'ação efetiva do governo em proteger o povo dos efeitos da guerra nefasta' entre EUA e Irã
Ações federais incluem subsídios ao diesel, apoio ao setor aéreo e controle de preços de combustíveis
247 - Pré-candidata ao Senado, Gleisi Hoffmann (PT) defendeu o governo Lula nesta sexta-feira (10) por implementar medidas para amenizar as consequências da guerra entre Estados Unidos e Irã na inflação. Em postagem publicada na rede social X (antigo Twitter), a ex-ministra afirmou haver uma “ação efetiva do governo Lula em proteger o povo dos efeitos dessa guerra nefasta”.
No post, Gleisi cita um levantamento da Global Petrol Prices, divulgado nessa quinta (9) na coluna de Vinicius Torres Freire, da Folha de São Paulo, o Brasil ocupa a 90ª posição entre 128 países no ranking de variação da gasolina, com alta de 7,6%. Em 25 nações, a variação ficou abaixo de 1%, nula ou negativa. No caso do diesel, o país aparece na 71ª colocação. Os dados consideram o intervalo entre 23 de fevereiro e 6 de abril, período que inclui o início do conflito no Oriente Médio.
"No caso da gasolina, com aumento de 7,6%, ficamos em 90º lugar entre 128 países. No diesel, com aumento de 23,5%, ficamos em 71º lugar", escreveu a ex-ministra em. "É a ação efetiva do governo Lula em proteger o povo dos efeitos dessa guerra nefasta", completou.
Para enfrentar o cenário internacional adverso, o governo federal anunciou um pacote de medidas com foco na redução dos custos de combustíveis e no alívio da inflação. As iniciativas incluem uma medida provisória, um projeto de lei e decretos assinados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Entre as ações, está a criação de subsídios para o diesel. O governo estabeleceu uma subvenção de R$ 1,20 por litro para o combustível importado, com divisão de custos entre União e estados. O benefício terá duração inicial de dois meses e pode atingir R$ 4 bilhões.
Também foi definida uma subvenção adicional de R$ 0,80 por litro para o diesel produzido no país, com custo estimado em R$ 3 bilhões por mês. As empresas terão que repassar a redução ao consumidor final.
O pacote inclui ainda a isenção de impostos federais sobre o biodiesel e o querosene de aviação. Para o gás de cozinha, o governo anunciou um subsídio de R$ 850 por tonelada para o GLP importado, com objetivo de reduzir o impacto nos preços, sobretudo para famílias de menor renda.
No setor aéreo, o governo prevê a oferta de até R$ 9 bilhões em crédito para companhias, com recursos operados pelo BNDES e pelo Fundo Nacional de Aviação Civil. Também haverá isenção de PIS e Cofins sobre o querosene de aviação e adiamento de tarifas de navegação aérea.
De acordo com o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, o custo das medidas será compensado pelo aumento das receitas de royalties de petróleo, que cresceram desde o início do conflito internacional.
O governo também anunciou o reforço na fiscalização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis para coibir práticas abusivas. Um projeto de lei enviado ao Congresso prevê pena de 2 a 5 anos de prisão para quem elevar preços de forma indevida em situações de crise.
Impacto da guerra no Oriente Médio
Os Estados Unidos iniciaram ataques contra o Irã em 28 de fevereiro após acusar o país de avançar em ações ligadas ao desenvolvimento de armamento nuclear. A Organização das Nações Unidas (ONU) contestou essa alegação e afirmou que não há intenção do governo iraniano nesse sentido.
Entre os desdobramentos do conflito, o fechamento do Estreito de Ormuz ganhou destaque. A Reuters indicou que a via responde por cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, o que confere à decisão grande peso estratégico e alto potencial de impacto na economia global. A escalada de tensão se intensificou após novos ataques registrados na segunda-feira (2), o que elevou o risco geopolítico na região.
O Estreito de Ormuz fica entre o Irã e Omã e estabelece ligação entre o Golfo Pérsico, o Golfo de Omã e o Mar Arábico. A rota tem papel essencial para países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait, que utilizam esse corredor para escoar grande parte da produção, sobretudo para o mercado asiático. Navios que seguem para a Europa e para as Américas também atravessam essa passagem marítima.

