Lula destaca parceria Petrobras-Pemex e provoca: ‘quero ver se Trump vai se meter’
Em Manaus, presidente defende força global da Petrobras e cita aliança com a Pemex para explorar petróleo no Golfo do México
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou nesta quarta-feira (27), em Manaus, a parceria entre Petrobras e Pemex para exploração de petróleo em águas profundas no Golfo do México e provocou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração ocorreu durante cerimônia de anúncio de investimentos da Petrobras e da Transpetro no Amazonas.
No evento, Lula afirmou que a Petrobras ampliou sua capacidade de investimento e passou a ser ainda mais respeitada no cenário internacional. O presidente comparou os recursos destinados pelo Fundo de Marinha Mercante nos sete anos anteriores ao seu governo com o volume aplicado pela atual gestão.
“Nos sete anos que antecederam nosso governo, o Fundo de Marinha Mercante investiu R$ 22 bilhões nessas coisas todas que estamos fazendo aqui. Nós, em menos de quatro anos, já estamos investindo R$ 88 bilhões. Simplesmente quatro vezes mais”, disse Lula.
Segundo o presidente, o aumento dos investimentos representa expansão direta da atividade produtiva no país. “Significa quatro vezes mais emprego, quatro vezes mais barcaças, quatro vezes mais navios e quatro vezes a Petrobras maior. Por isso a Petrobras é muito respeitada no mundo”, afirmou.
Lula relatou ainda uma conversa com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, sobre a necessidade de cooperação com a Petrobras para a exploração de petróleo em águas profundas. Segundo ele, a mexicana pediu apoio da estatal brasileira para avançar na prospecção no Golfo do México.
“A presidenta do México, minha amiga Claudia, me telefona e diz: ‘presidente Lula, eu estava precisando falar com a Petrobras. Porque eu quero fazer prospecção de petróleo em águas profundas no Golfo do México’”, declarou Lula, traduzindo a fala atribuída à presidente mexicana.
O presidente disse que orientou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, a avançar nas tratativas com a Pemex. Em tom de provocação, Lula citou Trump ao defender a atuação internacional da estatal brasileira.
“Magda, vai lá. Vamos fazer uma associação com a Pemex e vamos no Golfo do México para ver se o companheiro Trump vai se meter com a Petrobras prospectando petróleo a 2,5 mil metros, que para muita gente é água profunda; para a Petrobras é um açude, é água rasa”, afirmou.
A cooperação entre Petrobras e Pemex é vista como uma iniciativa capaz de ampliar a relevância energética de Brasil e México na América Latina e no cenário global. A proposta envolve a busca por petróleo em águas profundas mexicanas, uma área de alta complexidade técnica.
A Petrobras já domina a tecnologia necessária para operar em grandes profundidades, enquanto a Pemex enfrenta limitações nessa área e registra queda de produção há anos. Nesse contexto, a parceria pode representar para o México acesso direto a uma capacidade tecnológica que ainda não desenvolveu plenamente.
Com o aumento das tensões energéticas ao redor do Irã, o petróleo volta a ganhar peso estratégico e tende a se tornar mais valorizado. Esse cenário altera a viabilidade de projetos antes considerados pouco rentáveis e reforça a importância de alianças capazes de ampliar a produção.
Se a aproximação entre Petrobras e Pemex avançar, a cooperação poderá reposicionar os dois países no setor energético e fortalecer a presença latino-americana em um mercado global no qual cada barril passou a ter peso ainda maior.



