HOME > Indústria

Petrobras vai investir R$ 2,8 bilhões no Amazonas até 2030

Petrobras amplia produção de gás natural em Urucu e encomenda 18 barcaças para fortalecer logística naval e energia na Região Norte

Presidente Lula e presidente da Petrobras, Magda Chambriard, durante cerimôniade ampliação da capacidade operacional da Refinaria Abreu e Lima (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - A Petrobras vai investir R$ 2,8 bilhões no Amazonas até 2030 em um pacote que combina a retomada da expansão da produção de gás natural no Polo Urucu, em Coari, e a renovação da frota logística da Transpetro, com a construção de 18 barcaças no estado.

O anúncio será feito nesta quarta-feira (27), em Manaus, durante evento no Estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e do presidente da Transpetro, Sérgio Bacci. O investimento total previsto para o Amazonas supera R$ 2,8 bilhões ao longo dos próximos cinco anos.

A maior parte dos recursos será destinada ao Polo Urucu, considerado a principal província petrolífera em terra firme do Brasil. A Petrobras prevê aplicar cerca de R$ 2,5 bilhões na perfuração de novos poços e na instalação de aproximadamente 40 quilômetros de linhas para conectar essas estruturas à operação existente. A retomada ocorre após uma década sem investimentos em construção de novos poços na região.

A nova etapa de investimentos em Urucu deve acrescentar uma produção média de 4.400 barris por dia. Atualmente, o polo produz cerca de 105 mil barris de óleo equivalente por dia e completa 40 anos de operação em 2026. Localizado no município de Coari, no interior do Amazonas, o complexo tem papel estratégico para o abastecimento energético da Região Norte.

O gás natural produzido em Urucu viabiliza a geração de 65% da energia elétrica consumida em Manaus e em outros cinco municípios. Já o GLP, o gás de cozinha, tem produção média de 80 mil botijões por dia e abastece todos os estados da Região Norte, além de parte do Nordeste.

A Petrobras também pretende ampliar a oferta de gás natural a áreas da Região Norte que enfrentam dificuldades logísticas para acessar o insumo. O objetivo é desenvolver soluções de distribuição para localidades remotas da Amazônia brasileira, com foco na segurança energética, na redução de emissões e no uso mais eficiente dos recursos energéticos disponíveis na região.

A partir de 2028, deve entrar em operação a parceria firmada entre Petrobras e Amazônica Energy, assinada em novembro do ano passado. A iniciativa prevê reforço de pelo menos 100 mil metros cúbicos por dia na segurança energética do Norte do país.

Além da frente de produção em Urucu, o pacote inclui a construção de 18 barcaças encomendadas pela Transpetro ao Estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia. O contrato tem valor de R$ 303,5 milhões e faz parte do Programa Mar Aberto, iniciativa do Sistema Petrobras voltada à ampliação e renovação da frota própria de embarcações.

As barcaças serão utilizadas no transporte e no abastecimento de bunker, combustível marítimo usado por navios, em portos brasileiros. A expectativa é que a operação própria, com armazenamento e distribuição concentrados pela Transpetro, reduza custos logísticos hoje associados a contratos com empresas terceirizadas.

Atualmente, a Petrobras gasta cerca de R$ 300 milhões por ano com contratos externos para transporte e abastecimento de bunker nos principais portos do país. Com a verticalização dessa logística, o Sistema Petrobras busca ganhar eficiência operacional e reduzir despesas no fornecimento de combustível marítimo.

As 18 barcaças fazem parte de um conjunto maior de investimentos da Transpetro. A subsidiária também contratou 18 empurradores que atuarão na logística do combustível marítimo no Rio de Janeiro, em Santos, Belém, Paranaguá e Rio Grande. Somados, os contratos das barcaças e dos empurradores chegam a R$ 628 milhões, sendo R$ 303,5 milhões para as barcaças e R$ 325,3 milhões para os empurradores, que serão construídos em Santa Catarina.

Somente a construção das barcaças no Amazonas deve gerar cerca de 3,3 mil empregos diretos e indiretos. A atuação da Petrobras no estado, considerando suas diferentes frentes de operação, é responsável por aproximadamente 14 mil postos de trabalho diretos e indiretos.

O Programa Mar Aberto prevê a construção de 96 embarcações até 2030, com investimentos estimados em R$ 34,8 bilhões. Desde o início da atual gestão, a Transpetro já encomendou 52 embarcações dentro da iniciativa, com investimentos de aproximadamente R$ 11,6 bilhões até o fim da década.

As barcaças encomendadas não terão propulsão própria e serão movimentadas por empurradores, em operação sincronizada a até 6 nós. Das 18 unidades, dez terão capacidade de 3 mil toneladas de porte bruto e oito terão capacidade de 2 mil toneladas de porte bruto.

As embarcações poderão ter até 70 metros de comprimento, 16 metros de boca e 4,5 metros de calado. A estrutura permitirá o transporte de diferentes combustíveis em tanques dedicados ou segregados. As unidades também poderão operar com energia elétrica em terra e utilizar energia solar.

Os empurradores responsáveis pela movimentação dos conjuntos terão até 18,7 metros de comprimento, 9,2 metros de boca, 3,7 metros de calado e potência de 450 kW. A tração prevista é de até 13 toneladas, com autonomia para cinco dias de navegação contínua. As embarcações contarão com tecnologias voltadas a ampliar a precisão das operações, especialmente em áreas restritas.

A presença da Petrobras no Amazonas também tem peso fiscal relevante. Em 2025, a arrecadação de tributos e participações governamentais destinadas ao estado chegou a R$ 1,5 bilhão. A companhia é a maior contribuinte de ICMS do Amazonas.

Artigos Relacionados