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Lula deve nomear advogado da Petrobras para o Ministério da Justiça

Wellington César Lima deve assumir a vaga deixada por Lewandowski ainda nesta semana

Lula deve nomear advogado da Petrobras para o Ministério da Justiça (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve nomear o atual advogado-geral da Petrobras, Wellington César Lima e Silva, para o comando do Ministério da Justiça e da Segurança Pública. A indicação deve ser formalizada ainda nesta semana, após a saída de Ricardo Lewandowski, que deixou o cargo na sexta-feira (9).

A escolha foi definida após consultas a ministros do governo e aliados próximos ao Palácio do Planalto. Um dos critérios considerados centrais pelo presidente foi a capacidade de interlocução do futuro titular da pasta com o Supremo Tribunal Federal (STF), atributo associado à atuação de Lewandowski antes de deixar o cargo.

Com bom trânsito entre ministros da Corte, Wellington é visto no meio jurídico como um perfil de diálogo. Um ministro do STF o descreveu como “culto, cordato e conciliador”. A aproximação com o Supremo se consolidou durante o período em que ele atuou como subsecretário de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, função exercida de janeiro de 2023 a maio de 2024.

A Subchefia para Assuntos Jurídicos é considerada uma das áreas mais estratégicas da estrutura do Executivo federal, por manter contato direto com o presidente da República, a Advocacia-Geral da União e ministros do STF. Nesse período, Wellington também passou a conviver com frequência com Lula, o que contribuiu para a construção de uma relação de confiança entre ambos.

Egresso do Ministério Público da Bahia, Wellington tem trajetória política e institucional ligada a lideranças do PT baiano. Ele é próximo do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e do líder do governo no Senado, Jaques Wagner. Em 2010, quando Wagner governava a Bahia, nomeou Wellington para o cargo de procurador-geral de Justiça do estado, função que exerceu até 2014. Nesse intervalo, também manteve relação próxima com Rui Costa, então secretário estadual.

Caso a nomeação se confirme, a chegada de Wellington ao primeiro escalão ampliará o grupo de ministros baianos no governo federal, que já inclui Rui Costa, Sidônio Palmeira, à frente da Secretaria de Comunicação Social, e Margareth Menezes, no Ministério da Cultura.

Fontes do Palácio do Planalto também destacam a lealdade demonstrada por Wellington ao PT durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Ele assumiu o Ministério da Justiça em março de 2016, em um dos momentos mais delicados daquele governo, permanecendo no cargo por 11 dias. À época, deixou a função após decisão do STF que exigia sua renúncia à carreira no Ministério Público estadual para permanecer como ministro, o que implicaria perda de benefícios previdenciários acumulados desde seu ingresso na instituição, em 1991.

Com a saída de Lewandowski, outros nomes chegaram a ser considerados para a pasta. Entre eles, o ministro da Educação, Camilo Santana, defendido por setores do PT devido à experiência acumulada na área de segurança pública como governador do Ceará entre 2015 e 2022. Integrantes do governo avaliam, contudo, que sua permanência no Ministério da Educação é estratégica neste momento.

Também foi citado o nome do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Segundo interlocutores do governo, essa possibilidade estaria vinculada a um eventual desmembramento do Ministério da Justiça, com a criação de uma pasta específica para a Segurança Pública. A divisão, no entanto, não deve ocorrer no curto prazo, podendo ser discutida apenas em um eventual novo mandato presidencial.

Wellington César Lima não se manifestou até o momento.

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