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Lula deve recusar convite para integrar Conselho da Paz de Trump

Governo brasileiro avalia que iniciativa liderada pelos EUA pode enfraquecer papel da ONU e resiste à adesão ao grupo

Lula e Trump se reúnem na Malásia 26/10/2025 REUTERS/Evelyn Hockstein (Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia cuidadosamente se responderá ao convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o Brasil integre o chamado “Conselho de Paz”, criado pela Casa Branca no contexto do conflito na Faixa de Gaza, segundo a CNN Brasil. A análise diplomática ocorre em meio a intensos debates no Palácio do Planalto sobre os riscos políticos e geopolíticos de aceitar a proposta.

Fontes do governo indicam que o convite foi recebido com reservas e que há uma tendência à recusa, especialmente porque a iniciativa, idealizada pelos Estados Unidos, pode concorrer com a Organização das Nações Unidas (ONU) como principal foro multilateral para a resolução de conflitos internacionais.

No início das tratativas, Lula sugeriu diretamente a Trump, em telefonema realizado em 26 de janeiro, que o Conselho de Paz fosse limitado à questão da Faixa de Gaza e incluísse um assento para a Palestina como condição para qualquer participação brasileira, informou o Palácio do Planalto.

A iniciativa proposta pelo presidente dos Estados Unidos visa reunir líderes e representantes globais para discutir a reconstrução e a transição política na região devastada pelo conflito entre Israel e Hamas. No entanto, aliados do presidente brasileiro questionam a clareza dos objetivos e a abrangência do conselho, que poderia ultrapassar o escopo inicial e abordar outros conflitos no mundo, o que suscita críticas no Itamaraty e no entorno do governo.

O temor de assessores é que a criação de um organismo paralelo à ONU fragilize o papel dessa instituição nas negociações internacionais, tirando espaço de fóruns tradicionais como o Conselho de Segurança da ONU, onde o Brasil busca maior protagonismo.

A proposta do Governo brasileiro, segundo fontes, é ganhar tempo e adotar uma resposta diplomática que reafirme a defesa do multilateralismo e da ONU como espaço legítimo para tratar de crises globais, enquanto se constrói, internamente, uma posição definida sobre o convite.

A visita de Lula à Casa Branca ainda está em discussão, sem data oficialmente confirmada, mas possivelmente ocorrerá no primeiro semestre após tratativas adicionais com Washington e consulta sobre os termos do Conselho de Paz.

Apesar de críticas e cautelas, o governo brasileiro mantém relações diplomáticas com os Estados Unidos, e interlocutores avaliam que a recusa ao convite não deve afetar diretamente o diálogo bilateral, especialmente em temas como comércio e cooperação regional.

O debate interno no Brasil reflete preocupação com a autonomia da política externa e o compromisso com soluções multilaterais para os conflitos no Oriente Médio e em outras regiões, reforçando a tradição diplomática do país de buscar negociações amplas e inclusivas através de organismos internacionais.

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