HOME > Brasil

Lula é garantia da existência da população negra, diz Marcelo Dias

No Giro das Onze, advogado afirmou que o 13 de maio expõe a abolição inacabada e cobrou avanços contra o racismo estrutural

31.03.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de comemoração dos 21 anos do PROUNI e dos 14 anos da Lei de Cotas, na Arena Anhembi – Santana, São Paulo - SP. Foto: Ricardo Stuckert / PR (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 -´O advogado Marcelo Dias afirmou, nesta quarta-feira (13), que a reeleição do presidente Lula é decisiva para a proteção da população negra no Brasil diante do avanço da extrema direita. As informações são do Giro das Onze, do Brasil 247, programa no qual Dias analisou o 13 de maio, a ausência de reparação após a escravidão e os desafios da pauta antirracista no país.

Ao comentar o Dia Nacional de Luta contra a Discriminação Racial, Marcelo Dias classificou a abolição como incompleta e rejeitou a ideia de que a Lei Áurea tenha representado uma libertação plena da população negra. Segundo ele, após mais de três séculos de escravidão, os negros foram deixados sem acesso a moradia, terra, educação, saúde e políticas de reparação.

“Nós não temos nada que agradecer à princesa Isabel, Conde, porque a Lei Áurea tem dois artigos, dois artigos. Está abolida a escravidão, revogam-se as disposições em contrário. Nenhuma política de moradia, reforma agrária, educacional, saúde, nada, nenhuma política de reparação a 350 anos, três séculos e meio de espoliação”, afirmou.

Marcelo Dias disse que o 13 de maio deve ser compreendido como uma data de luta, e não de celebração. Para ele, o marco oficial da resistência negra no Brasil é o 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, associado à memória de Zumbi dos Palmares e à resistência quilombola.

“Eles tentaram colocar o 13 de maio como uma data da libertação, a data dos pretos velhos, a data da feijoada de festa. Nós falamos, não, a nossa data é o 20 de novembro que representa Zumbi dos Palmares, representa os quilombos dos Palmares, que resistiu por quase 100 anos ao colonialismo, ao escravagismo. O 13 de maio é o dia nacional de luta contra a discriminação racial”, declarou.

O advogado também relacionou a luta antirracista ao cenário eleitoral. Segundo ele, a extrema direita representa uma ameaça concreta à população negra, especialmente por defender o armamento civil e políticas de segurança pública baseadas na lógica de “bandido bom é bandido morto”.

“Lula tem que se reeleger pro quarto mandato, porque a vitória do Flávio Bolsonaro, da extrema direita, do fascismo, é uma ameaça existencial à população negra no nosso país. É uma ameaça existencial”, disse.

Marcelo Dias afirmou que a defesa das armas tem impacto direto sobre a vida de mulheres negras e jovens negros. “O armamento, a defesa das armas na mão da população que eles defendem significa um feminicídio brutal. E as maiores vítimas do feminicídio são as mulheres negras. As armas na mão desse pessoal significa o extermínio da juventude negra, o genocídio da juventude negra”, afirmou.

Ao defender Lula, Dias disse que a trajetória pessoal do presidente cria identificação com setores historicamente marginalizados. Ele citou a origem nordestina, pobre e trabalhadora de Lula como elementos que aproximam o presidente da experiência social da população negra.

“Nós reconhecemos, temos uma identidade com Lula por tudo isso que você falou”, disse. “Essa história é uma história que se identifica com a história da população negra.”

O advogado também mencionou políticas públicas dos governos petistas que, segundo ele, ampliaram oportunidades para a população negra. Entre elas, citou o Luz para Todos, o Prouni, a criação do Ministério da Igualdade Racial e a Lei 10.639, que tornou obrigatório o ensino da história da África e da cultura afro-brasileira nas escolas.

“Nós reconhecemos o programa Luz para Todos, que levou luz para as comunidades quilombolas dos rincões desse país. Reconhecemos o Prouni, que colocou milhares e milhares de jovens negros nas universidades pela primeira vez na nossa história”, afirmou.

Apesar disso, Marcelo Dias cobrou mais ousadia de um eventual novo governo Lula. Segundo ele, duas décadas de governos progressistas não são suficientes para superar os efeitos de 350 anos de escravidão e mais de um século de exclusão.

“Porém, Conde, 20 anos de governo não resgata 350 anos de escravidão e mais de 100 anos de exclusão do nosso povo”, afirmou.

Entre as reivindicações apresentadas, Dias defendeu maior presença negra no primeiro escalão do governo, mais mulheres negras em ministérios e a indicação de uma ministra negra para o Supremo Tribunal Federal. Ele também cobrou apoio do PT ao deputado estadual Renato Freitas, que enfrenta processo de cassação na Assembleia Legislativa do Paraná.

“Nós reivindicamos, Conde, presença negra no ministério do presidente Lula. Nós queremos um ministério de 50% de mulheres e muitas mulheres negras. Nós queremos ministra negra no Supremo Tribunal Federal”, afirmou.

Ao tratar da segurança pública, Marcelo Dias elogiou o programa Brasil contra o Crime, lançado pelo governo federal, e afirmou que a iniciativa pode representar uma resposta progressista à política de confronto nas periferias. Ele defendeu que o Estado mire o “andar de cima” do crime organizado, com foco no financiamento das facções e no fluxo de armas.

“O Lula disse ontem, a nossa política de segurança pública é para pegar o andar de cima”, afirmou. “Nós temos uma oportunidade histórica de avançar nessa pauta da segurança pública, desmontar a cúpula, a cabeça das grandes facções que não moram nas favelas, Conde, não moram nas favelas, moram nos bairros nobres.”

Dias também cobrou governadores aliados e lideranças do PT por maior engajamento em torno da pauta. Segundo ele, a segurança pública se tornou uma área central da disputa política contra a extrema direita.

“Essa é uma política nacional. Essa é uma política de enfrentamento à extrema direita, ao fascismo”, disse.

Para Marcelo Dias, a ausência de governadores progressistas no lançamento do programa federal expõe a dificuldade de construir uma frente ampla em defesa de uma nova política de segurança. Ele afirmou que a aprovação da PEC da Segurança Pública é fundamental para redefinir o papel da União no combate ao crime organizado.

“A PEC da segurança pública está no Senado desde março. O Davi Alcolumbre botou na gaveta e não coloca para andar a PEC da segurança”, afirmou.

Artigos Relacionados