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Ministra diz que população negra será a maior beneficiada pelo fim da escala 6x1

Rachel Barros afirma que redução da jornada sem corte salarial é prioridade do governo Lula e pode ampliar saúde, estudo e convivência familiar

Ministra diz que população negra será a maior beneficiada pelo fim da escala 6x1 (Foto: Fábio Pozzebom / Agência Brasil)

247 – A ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, defendeu nesta quinta-feira, 7 de maio de 2026, o fim da escala 6x1 e afirmou que a população negra tende a ser a principal beneficiada pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial.

Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministra, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República em parceria com o Canal GOV, Rachel Barros destacou que trabalhadores negros estão entre os mais afetados pela precarização no mercado de trabalho, especialmente nos setores de serviços, comércio e aplicativos.

"A gente apoia o fim da escala 6 por 1, que é a redução da jornada de trabalho sem a redução salarial. Isso é muito importante de ser frisado", afirmou a ministra.

Segundo ela, a proposta busca assegurar dois dias de descanso semanal aos trabalhadores, garantindo mais tempo para a família, estudo, qualificação profissional e cuidados com a saúde.

"A gente sabe que é a juventude negra que tá nos serviços de aplicativos, que é a população negra majoritariamente que tá no trabalho de serviço, no comércio, que são as ocupações que têm um trabalho que inclusive adentra o final de semana", disse.

Rachel Barros afirmou que a mudança pode melhorar tanto a vida dos trabalhadores quanto a produtividade no ambiente profissional. Para a ministra, jornadas menos exaustivas reduzem o adoecimento e ampliam a capacidade de qualificação.

"Reduzir a escala de trabalho, a jornada de trabalho, é garantir direito para a família brasileira e principalmente para aqueles que estão em situações mais precárias de trabalho, porque serão os mais beneficiados", declarou.

A ministra citou ainda dados sobre afastamentos por doenças relacionadas ao trabalho. Segundo ela, em 2025 foram mais de 500 mil afastamentos por questões de saúde ligadas ao trabalho, sendo 60% deles de mulheres.

"Muitas mulheres não têm uma jornada só, têm dupla jornada, até tripla jornada de trabalho", afirmou.

Para Rachel Barros, o fim da escala 6x1 sem redução salarial é uma prioridade do governo do presidente Lula. Ela afirmou que o Ministério da Igualdade Racial acompanha a tramitação do tema e atua para ampliar o debate público.

"A gente só vê vantagens no fim da escala 6 por 1, sem redução de salário", disse.

Casas da Igualdade Racial

Durante a entrevista, a ministra também apresentou as ações do governo para ampliar a presença do Ministério da Igualdade Racial nos territórios. Ela destacou a implantação das Casas da Igualdade Racial, que oferecem atendimento psicológico, jurídico e social, além de ações de inclusão produtiva e cultural.

Segundo Rachel Barros, já foram inauguradas unidades no Rio de Janeiro, Fortaleza e Pelotas. Outras três estão previstas para Salvador, Itabira e Contagem.

"A Casa da Igualdade Racial é uma política muito importante para o Ministério da Igualdade Racial, é uma prioridade", afirmou.

A ministra disse que a meta é expandir a iniciativa para outras regiões, inclusive o Centro-Oeste, por meio de chamamento público e parcerias com estados e municípios.

Cotas e ações afirmativas

Rachel Barros também defendeu a Lei de Cotas e afirmou que a resistência às ações afirmativas ainda existe porque o racismo permanece na sociedade brasileira.

"Essa resistência existe sim, porque o racismo permanece na nossa sociedade", disse.

Segundo a ministra, os resultados das políticas afirmativas são “incontestáveis”. Ela citou crescimento superior a 200% nas matrículas de estudantes cotistas em universidades públicas desde o início da política.

"As cotas abrem portas e as portas que são abertas são portas que garantem a promoção da igualdade racial para todas e todos nesse país", declarou.

Rachel Barros também destacou a renovação da Lei de Cotas no ensino superior, com ampliação para a pós-graduação e inclusão de quilombolas.

Titulação quilombola e conflitos territoriais

Outro ponto abordado foi a regularização de territórios quilombolas. A ministra afirmou que o governo Lula avançou na titulação, com 72 decretos de declaração de interesse social e 50 títulos expedidos para comunidades quilombolas.

Ela destacou a titulação de 45% do território de Alcântara, no Maranhão, descrito como o maior quilombo do Brasil em termos populacionais.

"A população quilombola é uma das populações originárias do nosso país, é fundamental, é um legado histórico de reparação que a gente precisa fazer", afirmou.

Rachel Barros reconheceu, porém, que os processos de titulação enfrentam entraves judiciais e conflitos territoriais. Segundo ela, o ministério possui uma coordenação específica para mediação de conflitos envolvendo povos e comunidades tradicionais.

"Todas as vezes que as comunidades quilombolas nos mandam uma notícia, uma situação de conflito territorial, a gente envia os nossos trabalhadores do ministério para estarem em loco no território", disse.

Racismo religioso e povos de terreiro

A ministra também condenou episódios de intolerância contra religiões de matriz africana, classificados por ela como racismo religioso.

"O racismo religioso é uma prática que atinge todas as religiões de matriz africana e que é o ataque à crença, aos símbolos, à forma de professar a sua fé", afirmou.

Ela citou a política nacional para povos e comunidades de terreiro e matriz africana, instituída pelo presidente Lula em novembro de 2024, como uma ação inédita de reconhecimento institucional.

"No país dessa democracia que nós estamos construindo, racismo religioso não cabe", declarou.

Juventude Negra Viva

Rachel Barros também destacou o Plano Juventude Negra Viva, descrito por ela como o maior pacote de políticas públicas já criado no Brasil para a juventude negra. Segundo a ministra, são 217 ações, 18 ministérios envolvidos e mais de R$ 800 milhões investidos.

"Para combater a violência não é preciso só tirar armas ou reduzir a letalidade. Significa também você garantir dignidade, uma vida com qualidade, direitos assegurados para a juventude", disse.

A ministra afirmou que o plano articula políticas de saúde, educação, segurança, cultura, meio ambiente, trabalho e emprego, com foco na redução da vulnerabilidade da juventude negra.

Educação e combate ao racismo

Na área da educação, Rachel Barros citou ações para fortalecer a aplicação da Lei 10.639, que determina o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas. Ela também mencionou as Afrotecas, espaços com acervo, atividades educativas e formação para crianças e famílias.

"Crianças que frequentam a Afroteca são crianças que vão crescer com uma outra concepção de Brasil, de nação, reconhecendo a sua história, a sua ancestralidade", afirmou.

Ao final da entrevista, a ministra disse que os próximos meses serão dedicados à consolidação das políticas já iniciadas.

"Serão oito meses de muito trabalho. A gente sabe que esse é o primeiro Ministério da Igualdade Racial, que muitas políticas inéditas foram criadas e a nossa intenção agora é garantir que esses resultados sejam divulgados e que eles permaneçam no tempo", concluiu.

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