Lula escala ministros para garantir palanques em estados-chave em 2026
Planalto pressiona Haddad, consolida Tebet em São Paulo e mobiliza governo para evitar fragilidade eleitoral nos maiores colégios do país
247 - Preocupado com a montagem de palanques competitivos nos principais estados do país, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou a articulação política para fortalecer alianças regionais de olho nas eleições de 2026. A estratégia inclui pressão direta para que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), dispute o governo de São Paulo, além do engajamento de ministros com forte capital político em missões eleitorais consideradas estratégicas pelo Palácio do Planalto, segundo o jornal O Globo.
A avaliação interna é de que Lula não pode chegar à próxima disputa presidencial com apoios frágeis em estados de grande peso eleitoral, o que poderia comprometer o desempenho nacional da campanha. Auxiliares do presidente afirmam que há preocupação especial com a possibilidade de partidos de centro, hoje representados na Esplanada dos Ministérios, se aproximarem de candidaturas bolsonaristas nos estados. Diante da dificuldade de formalizar alianças amplas, a orientação tem sido dialogar com diferentes setores dessas legendas para evitar que fechem acordos estruturados com o campo adversário.
Segundo interlocutores do presidente, Lula não pretende assumir riscos desnecessários e avalia escalar ministros com força política para atuar diretamente nos estados. A lógica é manter um conjunto de nomes competitivos disponíveis para diferentes cenários, funcionando como uma espécie de reserva estratégica. A ideia é responder rapidamente a mudanças no quadro eleitoral e impedir perdas em regiões consideradas decisivas.
Nesse contexto, a pressão sobre Fernando Haddad ganhou novo fôlego. Em entrevista ao O Globo, o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), elevou o tom da cobrança e afirmou que Haddad não pode se dar ao “luxo” de tomar uma decisão individual. Apesar de o titular da Fazenda já ter manifestado mais de uma vez que não deseja disputar cargos eletivos, o PT segue tratando seu nome como 'plano A' para o governo paulista e avalia que Lula avançou no processo de convencimento.
Haddad, por sua vez, tem defendido internamente a participação na coordenação da campanha e na formulação do programa de governo. Integrantes do partido próximos ao presidente afirmam que Lula evita impor decisões, mas atua diretamente na construção de consensos, sobretudo nos estados mais sensíveis do ponto de vista eleitoral.
Em São Paulo, a definição mais concreta envolve a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB). Após conversas recentes com Lula, ela aceitou disputar o Senado pelo estado e deve deixar o ministério até o fim de março para viabilizar a mudança de domicílio eleitoral. No Planalto, a avaliação é de que sua candidatura amplia o alcance do palanque lulista, especialmente junto ao eleitorado de centro.
Tebet passou a ser tratada como peça estruturante da chapa majoritária em São Paulo, em um cenário no qual Haddad permanece como principal nome ao governo estadual. Ainda não há definição sobre sua permanência no MDB ou eventual migração para outra legenda da base aliada. O vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin (PSB), também é citado como alternativa para reforçar o palanque paulista, embora tenha sinalizado a interlocutores que não pretende disputar cargos eletivos.
Outro movimento observado no estado é o da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que passou a dialogar com partidos da base e fora dela sobre uma possível candidatura ao Senado. Ela indicou disposição para participar da construção eleitoral em São Paulo, o que tende a ampliar a disputa interna no campo aliado ao presidente.
No Nordeste, região em que Lula obteve vantagem sobre Jair Bolsonaro (PL) em 2022, o governo considera essencial repetir o desempenho. Camilo Santana anunciou que deixará o Ministério da Educação para atuar na articulação de alianças e no apoio à reeleição do governador do Ceará, Elmano Freitas (PT), que enfrenta a ameaça de Ciro Gomes (PSDB). Camilo é visto como 'plano B' ao governo estadual caso Elmano não avance nas pesquisas, e Lula já teria dito a assessores que não aceita perder o Ceará.
A experiência recente reforça o peso político de Camilo no estado. Em 2024, Fortaleza foi a única capital conquistada pelo PT, com a vitória de Evandro Leitão sobre o bolsonarista André Fernandes (PL), resultado atribuído à articulação conduzida pelo ex-governador.
Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) deve enfrentar o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil). O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), deve deixar o cargo em abril com a intenção inicial de disputar o Senado, mas aliados discutem a possibilidade de ele concorrer ao governo estadual caso Jerônimo enfrente dificuldades eleitorais.
Já nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a avaliação do Planalto é de que a esquerda dificilmente alcançará maioria, mas precisa reduzir a diferença. No Paraná, Lula decidiu escalar a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), para disputar o Senado. O plano inicial previa sua reeleição à Câmara, mas, a pedido do presidente, ela passou a ser considerada para a Casa Alta como forma de fortalecer a chapa em um estado considerado adverso.
Desde que assumiu o ministério, Gleisi intensificou o diálogo com lideranças regionais e com partidos estratégicos. Sua equipe elabora um mapeamento das candidaturas mais competitivas e das possíveis alianças. Entre aliados de Lula, a avaliação é de que a prioridade é montar o melhor time possível nos estados, inclusive com a recuperação de nomes que estavam fora da política, desde que apresentem potencial eleitoral.


