Rovai diz que Haddad é bom técnico, mas perdeu 3 eleições seguidas e não pode ser a única alternativa do PT para 2030
Editor da revista Fórum também apontou Flávio Dino como o melhor quadro do campo progressista
247 – O jornalista Renato Rovai, editor da revista Fórum, avaliou em um tweet que a decisão do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de não disputar as eleições neste ano “é ruim para Lula e para o PT”, mas afirmou que a escolha “me parece correta”, ao lembrar que o petista “perdeu 3 eleições seguidas” e, segundo ele, “muito provavelmente perderá a quarta” caso volte às urnas. A análise reacende o debate sobre sucessão no campo progressista e coloca o PT diante de um alerta estratégico com foco em 2030.
Na avaliação de Rovai, Haddad reúne qualidades técnicas indiscutíveis, mas isso não se converte automaticamente em força eleitoral. “Haddad é excelente técnico, mas isso não basta na política, em especial para ganhar eleições”, escreveu. Para o jornalista, a insistência em um nome que já enfrentou derrotas sucessivas pode custar caro ao partido, especialmente em um cenário que tende a ficar mais competitivo nos próximos anos.
Rovai também defendeu que o PT precisa agir com rapidez para construir novas lideranças nacionais. “Por isso é urgente que o PT prepare outros nomes para suceder Lula”, afirmou, indicando que o tema não pode ser tratado como algo distante. A cobrança aparece num momento em que o presidente segue como principal referência eleitoral do campo progressista, mas em que cresce a pressão para que o partido organize um horizonte político mais amplo.
Rafael Fonteles como alternativa
No mesmo tweet, Rovai avaliou que dois ministros frequentemente citados como possíveis herdeiros políticos do presidente não demonstraram, até agora, capacidade de mobilização popular. “Rui Costa e Camilo não empolgaram como ministros”, escreveu, em referência ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, e ao ministro da Educação, Camilo Santana.
Ao apontar alternativas internas, Rovai destacou o governador do Piauí, Rafael Fonteles, como um nome que “me parece ter muito potencial”. No entanto, fez uma ressalva considerada central para qualquer projeto presidencial: “Mas ele teria que ter visibilidade nacional para se tornar essa liderança”. A observação reforça que, além de gestão, uma candidatura viável depende de projeção pública e presença consistente no debate nacional.
Rovai também citou quadros de partidos aliados, com destaque para Flávio Dino. Para ele, Dino é “o melhor quadro entre todos do campo progressista”, mas enfrenta limitações institucionais e riscos políticos por estar no Supremo Tribunal Federal. Além disso, Rovai alertou para a possibilidade de enfraquecimento regional: Dino “pode perder força no Maranhão com a traição do atual governador Brandão”, escreveu, sugerindo que a base local pode ser determinante para sua capacidade de se manter influente no cenário nacional.
Outro nome lembrado pelo jornalista foi o prefeito do Recife, João Campos, visto como uma liderança promissora, mas ainda em fase inicial de trajetória nacional. “E João Campos, que é muito novo”, escreveu Rovai, indicando que a juventude pode ser ao mesmo tempo um ativo e um obstáculo para a consolidação de uma candidatura majoritária em curto prazo.
No centro da preocupação de Rovai está o reposicionamento da direita, que ele considera hoje mais organizada e competitiva para 2030. “A direita tá muito melhor posicionada para 2030”, afirmou, citando como exemplos o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o senador Flávio Bolsonaro. Segundo Rovai, Flávio Bolsonaro “tende a ir para o segundo turno e ter pelo menos 45% contra Lula”, numa projeção que aponta para um ambiente eleitoral duro e de alta polarização.
2030 quase impossível
O jornalista também sinalizou que, mesmo antes de 2030, a disputa de 2026 já exigirá do campo progressista uma estratégia robusta e renovada. “Vencer em 2026 já não será fácil”, escreveu. Em seguida, concluiu com um alerta ainda mais incisivo: “Se as coisas continuarem assim, em 2030 será quase impossível”, sintetizando a ideia de que o partido não pode depender exclusivamente de uma única liderança, por mais forte que ela seja.
A leitura de Rovai coloca no radar uma questão decisiva para o PT: a necessidade de ampliar seu repertório de lideranças, fortalecer nomes com capacidade de comunicação nacional e, ao mesmo tempo, evitar armadilhas eleitorais repetidas. Ao classificar Haddad como “bom técnico”, mas “candidato perdedor”, o jornalista não apenas comenta uma escolha individual, como expõe um dilema estrutural do partido diante do desafio de manter hegemonia no campo progressista e enfrentar uma direita cada vez mais preparada para a sucessão presidencial.


