Lula ficou incomodado com atuação do STF no caso Master
Presidente avalia que questionamentos judiciais à liquidação do banco podem gerar instabilidade institucional
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem manifestado, nos bastidores, incômodo com a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) no processo de liquidação do Banco Master. A insatisfação se concentra especialmente na condução do caso pelo ministro Dias Toffoli, relator do tema na Corte. As informações são do jornal O Globo.
Na avaliação do chefe do Executivo, a iniciativa de revisar uma decisão de natureza técnica pode provocar instabilidade e prejudicar a imagem das instituições brasileiras. Nesse ambiente predomina a percepção de que a decisão do Banco Central (BC) de liquidar a instituição controlada por Daniel Vorcaro foi correta e devidamente fundamentada do ponto de vista técnico.
Diante do cenário, Lula passou a se movimentar para compreender melhor os desdobramentos do caso e, ao mesmo tempo, oferecer respaldo a Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Galípolo tem atuado diretamente na defesa do processo de supervisão que levou ao encerramento das atividades do banco. Mesmo de férias, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também prestou apoio nos bastidores e fez articulações políticas com o objetivo de resguardar a autoridade monetária do que é visto como um cerco provocado por iniciativas no âmbito do STF.
Apesar dessas movimentações internas, o governo optou por não adotar, até agora, nenhuma ação formal. Prevalece no Executivo o entendimento de que o Banco Central dispõe de autonomia institucional e de uma procuradoria própria, responsável por sua representação tanto no Judiciário quanto junto aos órgãos de controle. Por essa razão, também não houve manifestações oficiais do governo sobre o tema.
Enquanto isso, entidades representativas do mercado financeiro vieram a público defender a atuação do Banco Central, reiterando esse posicionamento ao longo da semana. O apoio também partiu de outras organizações, como a Associação Nacional dos Auditores do Banco Central (ANBCB), além de frentes parlamentares, entre elas a de Comércio e Serviços.
No campo da opinião pública, a pressão considerada inédita de setores do Tribunal de Contas da União (TCU) e do STF sobre o Banco Central foi, em geral, mal recebida. Esse movimento começa a produzir efeitos, mesmo diante da circulação de notícias falsas nas redes sociais que buscaram desqualificar a atuação da autoridade monetária, conforme noticiado pela colunista Malu Gaspar.
Nesse contexto, a inspeção determinada pelo TCU no Banco Central não deverá ocorrer durante o recesso. A informação foi confirmada pelo presidente da Corte de Contas, ministro Vital do Rêgo, embora a medida ainda dependa de despacho do ministro Jhonatan de Jesus, ligado ao Centrão e a políticos próximos de Daniel Vorcaro.



