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Lula mantém Sidônio no governo e articula novo marqueteiro para as eleições

Presidente decide segurar ministro da Secom até o fim do mandato e avalia nome ligado ao núcleo baiano para comandar a estratégia eleitoral

Sidônio Palmeira e Lula (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu pedir ao ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, que permaneça no governo até o encerramento do mandato, descartando a possibilidade de seu afastamento para atuar diretamente na campanha de reeleição em 2026. A decisão altera os planos internos do PT, já que aliados do ministro consideravam praticamente certa sua volta ao comando do marketing eleitoral do presidente, função que exerceu em 2022, relata a Folha de São Paulo.

Com Sidônio mantido no Palácio do Planalto, Lula deve buscar outro nome para liderar a estratégia de comunicação da campanha. Nesse contexto, ganha força a possibilidade de o publicitário Raul Rabelo, ex-sócio e aliado histórico do ministro, assumir a função. A avaliação no entorno presidencial é que, longe de reduzir o espaço político de Sidônio, a permanência no cargo tende a ampliar sua influência sobre a campanha, ainda que de forma indireta.

Raul Rabelo trabalhou em diferentes campanhas petistas na Bahia no período em que Sidônio atuava mais diretamente no marketing eleitoral. A relação de proximidade entre os dois é vista como um fator que garantiria ao ministro ascendência sobre as decisões estratégicas da campanha presidencial, mesmo sem integrar formalmente a equipe eleitoral. Sidônio, inclusive, já vem sendo consultado sobre temas ligados à comunicação partidária, hoje sob responsabilidade de Éden Valadares, secretário de Comunicação do PT.

A conversa entre Lula e Sidônio ocorreu na semana passada. Segundo aliados, o presidente avalia que o governo não pode interromper ou enfraquecer a execução de suas políticas durante o período eleitoral, especialmente na área de comunicação institucional. Sidônio ganhou projeção ao longo de 2025, ano em que assumiu a Secom, e passou a figurar entre os conselheiros mais influentes do presidente, sendo ouvido não apenas sobre comunicação, mas também sobre estratégias em outras áreas do governo.

A decisão de mantê-lo no Planalto também busca evitar um distanciamento físico que poderia dificultar o diálogo em momentos considerados decisivos. Além da Secom, Sidônio tem participação na construção do discurso partidário, em razão de sua proximidade com Éden Valadares. De acordo com integrantes do PT, esse alinhamento foi determinante para a escolha do dirigente baiano para a comunicação do partido, permitindo maior convergência entre a narrativa do governo e a da legenda.

Sidônio, Raul Rabelo e Éden Valadares compartilham trajetórias profissionais na Bahia e mantêm relação próxima, o que, na avaliação de petistas, facilita o esforço de padronização da linguagem política com foco na disputa de 2026. O entrosamento entre governo e partido é visto como estratégico para sustentar a campanha de reeleição de Lula.

A aproximação de Sidônio com o presidente teve início ainda em 2022, por intermédio de lideranças baianas do PT, como o senador Jaques Wagner e o ministro da Casa Civil, Rui Costa. À época, divergências internas sobre a comunicação da campanha geraram tensões no grupo político de Lula. Após a vitória eleitoral, o nome de Sidônio chegou a ser cogitado para assumir a Secom no início do governo, mas as tratativas não avançaram, e o cargo ficou com Paulo Pimenta (PT-RS), hoje deputado federal.

No núcleo político do Planalto, a estratégia desenhada para 2026 é transformar a eleição em uma espécie de plebiscito, contrapondo a gestão petista ao governo de Jair Bolsonaro (PL). Entre as apostas estão a valorização de programas sociais retomados ou reformulados e novas iniciativas, como a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais.

Outro eixo da comunicação deve explorar a relação do bolsonarismo com decisões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O presidente norte-americano elevou tarifas de importação e, no caso brasileiro, associou a medida aos processos judiciais envolvendo Bolsonaro, que está preso após condenação por tentativa de golpe de Estado.

O cenário eleitoral também prevê mudanças na composição do governo. Diversos ministros devem deixar o primeiro escalão até abril para disputar cargos nas eleições de outubro. É o caso de Gleisi Hoffmann, ministra da Secretaria de Relações Institucionais, e de Rui Costa, da Casa Civil, que devem se desincompatibilizar para concorrer ao Senado pelo Paraná e pela Bahia, respectivamente. A permanência de Sidônio Palmeira, nesse contexto, também evita que Lula tenha de abrir uma nova frente de articulações para substituir o comando da comunicação no Planalto.

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