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Estresse com clã Bolsonaro pesou para Tarcísio desistir de visita a Jair Bolsonaro na prisão, dizem aliados

Declarações de Flávio sobre “enterrar” planos nacionais e provocações de Eduardo e Carlos teriam levado governador a repensar o “timing”

Tarcísio participa de evento em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, em in São Paulo 07/09/2025 REUTERS/Amanda Perobelli (Foto: Amanda Perobelli)

247 – O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), já dava sinais de estar “estressado” com parte da família Bolsonaro antes de adiar a visita que faria a Jair Bolsonaro na prisão, segundo relatos de aliados. A decisão de recuar, afirmam pessoas próximas, teria sido influenciada por um conjunto de fatores que incluem disputas internas no bolsonarismo, pressões sobre o papel de Tarcísio em 2026 e ataques indiretos nas redes sociais.

A informação foi publicada pelo jornal Valor Econômico, com base em relatos de aliados e fontes ligadas ao governador que falaram sob reserva. O entorno de Tarcísio sustenta que o apoio político ao ex-presidente permanece, mas que o governador preferiu reavaliar o momento da visita, inicialmente prevista para quinta-feira (22), para não transformar o encontro em um ato de submissão pública a uma estratégia eleitoral ainda incerta.

A visita que virou teste de lealdade

O pano de fundo, segundo aliados, é a tentativa do clã Bolsonaro de consolidar uma narrativa para 2026 com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato à Presidência, escolhido pelo pai. Para pessoas próximas a Tarcísio, a visita ao ex-presidente na prisão passou a ser interpretada como um episódio de alto custo político: um encontro que poderia ser usado para impor ao governador um freio explícito em qualquer ambição nacional.

O receio, dizem essas fontes, não era apenas o simbolismo da ida ao presídio, mas a possibilidade de a agenda se converter em um ritual de alinhamento forçado. Na leitura de um correligionário citada por aliados, Tarcísio teria percebido que seria submetido a um tipo de pressão que “não tolera”.

As declarações que elevaram a tensão

Um fator decisivo, apontam pessoas do entorno, foram as falas do senador Flávio Bolsonaro ao longo de terça-feira (20), depois que Tarcísio confirmou publicamente que faria a visita e disse que encontraria “um grande amigo” para levar ajuda e reiterar apoio.

Segundo aliados, incomodou o “tom duro” do senador ao antecipar, em entrevistas, o teor do que Jair Bolsonaro diria ao governador. Em declaração ao jornal O Globo, Flávio foi direto ao apresentar o roteiro do recado que, segundo ele, seria dado ao chefe do Executivo paulista:

“Tarcísio vai ouvir da boca de Bolsonaro que está fazendo um grande trabalho como governador de São Paulo e que sua reeleição é fundamental para a estratégia nacional de derrotar o PT. Eleições presidenciais estão descartadas para ele”

No entorno do governador, a leitura é que a mensagem buscava enquadrar Tarcísio de forma pública, estabelecendo como “obrigação” política a permanência em São Paulo — e não como escolha — para sustentar um palanque robusto ao projeto presidencial de Flávio.

Provocações de Eduardo e Carlos nas redes

Além das declarações de Flávio, aliados de Tarcísio relatam incômodo com publicações recentes de Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro. Os dois, segundo pessoas ligadas ao governador, teriam insinuado que Tarcísio articula uma candidatura ao Palácio do Planalto e colocaram em dúvida sua fidelidade ao ex-presidente.

Sem citar nomes, Carlos escreveu que haveria uma intenção de “medir forças com o próprio Bolsonaro”. No núcleo do governo paulista, esse tipo de provocação é visto como um recado: ou o governador se enquadra, ou passará a ser tratado como adversário interno.

A soma desses sinais, apontam fontes próximas, teria feito Tarcísio repensar o “timing” da visita para evitar que a cena fosse usada como instrumento de chantagem política — ou como gatilho para antecipar, ainda em janeiro, disputas de 2026.

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