Lula reafirma compromisso com alfabetização e diz que "poucas vezes a educação foi levada a sério neste país"
Presidente defende pacto nacional e critica histórico de negligência com a educação pública no Brasil
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta segunda-feira (23), em Brasília, da cerimônia de premiação da segunda edição do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização, ao lado do ministro da Educação, Camilo Santana. Durante o evento, o chefe do Executivo reforçou a importância de ampliar políticas públicas voltadas à alfabetização infantil e destacou avanços recentes no setor.
A iniciativa integra o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA), criado pelo Ministério da Educação (MEC), e busca reconhecer estados e municípios que implementam políticas eficazes na área. As informações fazem parte de conteúdo institucional divulgado sobre o programa.
Em seu discurso, Lula afirmou que o avanço na alfabetização depende diretamente de vontade política e criticou a forma como a educação foi tratada historicamente no país. “Poucas vezes neste país a educação foi levada a sério para o conjunto da população brasileira”, declarou. Segundo ele, por muito tempo o ensino foi direcionado a uma parcela restrita da sociedade, enquanto a maioria da população não era considerada como prioridade.
O presidente relembrou uma pesquisa realizada em 2005 que apontava a educação de qualidade como um sonho unânime entre os brasileiros, mas também evidenciava o ceticismo quanto à sua concretização. “Mais de 60% das pessoas disseram que não era possível atingir a educação de qualidade para nossas crianças”, afirmou.
Lula destacou ainda os resultados recentes do pacto pela alfabetização na idade certa, que tem como meta atingir 80% das crianças alfabetizadas até 2030. “Com apenas dois anos nós chegamos a 66%, alguns estados chegaram a mais”, disse, projetando que a meta poderá ser alcançada antes do prazo estabelecido.
Ao defender a centralidade da educação no desenvolvimento nacional, o presidente afirmou que não há exemplos de países que tenham alcançado prosperidade sem investir no setor. “Não existe exemplo em nenhum país do mundo que tenha se desenvolvido [...] sem que antes se investisse na educação”, declarou.
Durante a fala, Lula também ressaltou políticas educacionais implementadas em gestões anteriores, como o ProUni e a reformulação do FIES. “O Estado assumiu a responsabilidade de ser o avalista dos estudantes. Fizemos o FIES funcionar”, afirmou, lembrando que mais de 2,5 milhões de jovens tiveram acesso ao ensino superior por meio do programa.
O presidente mencionou ainda a expansão da rede de ensino técnico no país. Segundo ele, o Brasil passou de 140 escolas técnicas ao longo de um século para uma previsão de 782 unidades em menos de 15 anos. “Eles terão certamente um futuro muito mais decente, um salário muito mais decente”, disse.
Outro ponto abordado foi o programa de incentivo à permanência no ensino médio. Lula destacou que cerca de 500 mil estudantes abandonavam os estudos anualmente para contribuir com a renda familiar. “Nós resolvemos criar um pé de meia, que hoje atende mais de 4 milhões de meninas e meninos desse país”, afirmou.
O presidente também enfatizou a importância da cooperação entre União, estados e municípios para o avanço das políticas educacionais. “O presidente da República não governa sem governadores e prefeitos”, declarou, ao agradecer o engajamento de gestores públicos e educadores.
Ao final do discurso, Lula reafirmou o papel da educação como instrumento de transformação social e redução das desigualdades. “O meu desafio é garantir que cada mulher ou cada homem [...] tenha do Estado brasileiro o direito de ter a oportunidade de estudar”, concluiu.


