Lula se reúne com chanceler, mas não decidiu sobre convite de Trump para integrar Conselho de Gaza
Governo analisa objetivos, países participantes e custos da proposta
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu-se com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para tratar do convite feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o Brasil participe de um conselho internacional voltado à situação da Faixa de Gaza. Segundo auxiliares do Palácio do Planalto, não há definição até o momento, pois o governo avalia cuidadosamente o conteúdo do documento e suas implicações políticas, diplomáticas e financeiras.
Segundo o G1, a avaliação de integrantes do governo é que a decisão depende de uma análise aprofundada. Entre os pontos levados em consideração estão os objetivos concretos do conselho, quais países aceitarão integrar o grupo, as posições dessas nações em relação ao conflito e se haverá custos financeiros decorrentes das decisões adotadas.
Análise cautelosa no Palácio do Planalto
De acordo com fontes do governo brasileiro, a proposta ainda levanta questionamentos relevantes. O anúncio da criação do conselho foi feito na semana passada pela Casa Branca, que informou que o grupo discutirá temas como fortalecimento da governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital.
Diplomatas ouvidos pela reportagem afirmam que muitas dessas questões ainda carecem de esclarecimento. “Nada disso está claro”, afirmou um diplomata a par das conversas. Segundo ele, o Brasil considera essencial dialogar com países que tenham peso político na questão antes de assumir qualquer compromisso. “Trocar ideias com outros países relevantes na questão, é assim que se constrói uma posição em questão de tamanha relevância”, declarou o diplomata.
Críticas do governo brasileiro à ofensiva em Gaza
A cautela do governo ocorre em um contexto de posicionamentos públicos firmes do presidente Lula. Em discursos no Brasil e em fóruns internacionais, Lula acusou o governo de Benjamin Netanyahu de praticar atos de “genocídio” contra o povo palestino e afirmou que está em curso não apenas uma tentativa de “extermínio do povo palestino”, mas também de “aniquilamento de seu sonho de nação”.
O ministro Mauro Vieira também criticou duramente as ações militares israelenses. Ele classificou a ofensiva como “carnificina” e reconheceu o direito de Israel à defesa, mas afirmou que as operações contra civis em Gaza “já ultrapassaram há muito tempo qualquer limite de proporcionalidade”.
Conselho proposto pelos EUA
O conselho sugerido por Donald Trump é considerado por Washington um elemento central da segunda fase de um plano para encerrar a guerra no território palestino. “Posso dizer com certeza que é o maior e mais prestigiado conselho já reunido em qualquer momento e lugar”, afirmou Trump ao anunciar a iniciativa. Segundo a Casa Branca, o grupo teria como foco a reconstrução de Gaza e o fortalecimento institucional da região, com participação internacional e mecanismos de financiamento de grande escala.
Atuação do Brasil na ONU e defesa da Palestina
O Brasil reconhece oficialmente o Estado da Palestina, posição que o diferencia dos Estados Unidos e de Israel. Em outubro de 2023, após a intensificação do conflito provocada por ataques do grupo terrorista Hamas ao território israelense, o governo brasileiro tentou aprovar no Conselho de Segurança da ONU uma resolução que previa um cessar-fogo e a entrada permanente de ajuda humanitária em Gaza.
A proposta acabou vetada pelos Estados Unidos, então sob o governo de Joe Biden, sob o argumento de que o texto não assegurava de forma explícita o direito de Israel à autodefesa. Desde então, Lula tem mantido críticas tanto às ações do Hamas quanto à condução da guerra pelo governo Netanyahu, o que resultou em um distanciamento diplomático entre Brasil e Israel.
Nesse cenário, o governo brasileiro afirma apoiar iniciativas que possam contribuir efetivamente para a paz na região, desde que estejam alinhadas ao direito internacional e aos princípios da política externa do país.


