Marcelo Uchoa: "os Bolsonaros entregaram o Brasil em bandeja de prata para os EUA"
Marcelo Uchoa diz que medida dos EUA contra PCC e CV ameaça a soberania brasileira
247 - O advogado e professor Marcelo Uchoa diz que medida dos EUA contra PCC e CV ameaça a soberania brasileira e afirma que a classificação das facções criminosas como organizações terroristas pelos Estados Unidos pode ter consequências graves para o país, em um contexto de tensão política após o anúncio feito pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
Rubio revelou na noite de quinta-feira, 28, que, a partir de 5 de junho, o Primeiro Comando da Capital, o PCC, e o Comando Vermelho, o CV, serão classificados como organizações terroristas pela Casa Branca.
Uchoa afirmou que a medida não pode ser tratada como um fato menor.
“Falando como professor de Direito Internacional Público atento às questões de relações internacionais, a designação do CV e PCC como organizações terroristas pelos EUA dá carta branca ao governo Trump para ATACAR militarmente o Brasil. O fato não pode ser minimizado. OS Bolsonaros entregaram o Brasil em bandeja de prata para os EUA. São lesas-pátrias e quem os apoia também. Arranquemos, imediatamente, a bandeira brasileira e as cores nacionais das mãos sujas desses traidores e as empunhemos novamente. O Brasil é uma pátria LIVRE e SOBERANA”, declarou Marcelo Uchoa.
A decisão norte-americana pode trazer implicações ao sistema financeiro brasileiro e afetar de forma imediata o trabalho de cooperação entre a PF (Polícia Federal), a DEA e o FBI. Pelo contexto informado, a mudança deslocaria o tema para a esfera da CIA, agência que conduz operações de forma secreta e sem o mesmo padrão de compartilhamento de dados adotado até aqui.
Lula reage e diz que Brasil não aceitará ser tratado como “republiqueta”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a movimentação e afirmou que o Brasil não será tratado como “uma republiqueta”. A declaração foi feita em reação ao envolvimento de Flávio Bolsonaro nas articulações com autoridades norte-americanas.
“Nós não aceitamos ser tratados como moleques. Nós não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta. Eu tive três horas com o presidente Trump. Entreguei quatro documentos para eles. Um deles era o combate ao crime organizado. Seu Marco Rubio não estava lá possivelmente porque estivesse preparado para ajudar um filho de um bolsonarista, que é candidato à eleição aqui nesse país, que não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria e ir aos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil. Joaquim Silvério dos Reis ficaria envergonhado se soubesse que tem um candidato a presidente que vai aos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil. Se ele fosse pedir intervenção para prender miliciano, eles ficavam presos lá. Essa é a verdade”, disse Lula.
Flávio Bolsonaro fez lobby nos EUA pela medida
A decisão do Departamento de Estado ocorreu após encontro de Flávio Bolsonaro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Depois disso, Flávio também se reuniu com Marco Rubio e com o vice-presidente norte-americano, JD Vance.
Nas redes sociais, Flávio Bolsonaro afirmou que, durante os encontros, atuou para que a Casa Branca classificasse o PCC e o CV como organizações terroristas. A movimentação ampliou a tensão política no Brasil e motivou críticas de Lula e de Marcelo Uchoa, que relacionou a medida a uma ameaça direta à soberania nacional.

