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Mendonça determina uso de tornozeleira eletrônica para irmão de Ciro Nogueira

Decisão do ministro do STF impõe restrições a Raimundo Nogueira após operação da PF sobre suposto esquema ligado ao Banco Master

Raimundo Nogueira (Foto: Reprodução)

247 - O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o empresário Raimundo Nogueira, irmão do senador Ciro Nogueira (PP-PI), passe a usar tornozeleira eletrônica no âmbito das investigações do chamado Caso Master.

A decisão ocorre após a Polícia Federal (PF) realizar, na manhã desta quinta-feira (7), uma operação contra o senador e o empresário. O inquérito apura suspeitas de favorecimento político e vantagens econômicas envolvendo o Banco Master e empresários ligados ao grupo investigado.

Além do monitoramento eletrônico, Raimundo Nogueira terá de cumprir uma série de medidas cautelares impostas por Mendonça. Entre elas, está a proibição de manter contato com outros investigados do caso, incluindo o próprio senador Ciro Nogueira. O empresário também não poderá deixar o município onde reside nem frequentar sedes e escritórios das empresas investigadas.

Segundo a decisão do ministro do STF, Raimundo deverá manter distância mínima de 50 metros dos demais alvos da investigação e obedecer às regras de monitoramento estabelecidas pelo centro responsável pela tornozeleira eletrônica.

De acordo com as investigações da Polícia Federal, Raimundo Nogueira integra uma estrutura empresarial vinculada ao senador. Os investigadores apontam que uma empresa administrada pelo empresário adquiriu 30% da Green Investimentos S.A. por R$ 1 milhão, embora a participação estivesse avaliada em aproximadamente R$ 13 milhões.

Para a PF, a negociação teria ocorrido com “expressivo deságio” e faria parte de um suposto esquema de vantagens econômicas relacionadas ao entorno político do senador. A corporação afirma ainda que a empresa envolvida possuía participação em uma companhia do setor de energia responsável pela distribuição de dividendos milionários aos acionistas.

Em documentos enviados ao STF, a Polícia Federal sustenta que havia interesses políticos e financeiros compartilhados entre os investigados, especialmente em razão da atuação parlamentar de Ciro Nogueira em favor do Banco Master.

Segundo os investigadores, o senador teria exercido atuação legislativa alinhada aos interesses do grupo empresarial ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro. Em paralelo, afirma a PF, teriam sido identificadas vantagens econômicas e patrimoniais recebidas pelo parlamentar.

Entre os benefícios citados pela investigação estão a disponibilização gratuita de imóvel de alto padrão, custeio de viagens internacionais, pagamento de hospedagens de luxo, despesas em restaurantes, deslocamentos e uso de cartão voltado a gastos pessoais. A PF também menciona indícios de recebimento de dinheiro em espécie.

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