Michelle amplia protagonismo e entra em disputa com Flávio Bolsonaro no PL
Avanço político da ex-primeira-dama após crise no DF e internação de Jair Bolsonaro intensifica divergências sobre estratégias eleitorais para 2026
247 - O avanço das investigações envolvendo o Banco Master no Distrito Federal, somado à nova internação de Jair Bolsonaro (PL), provocou uma reconfiguração no comando político do bolsonarismo. Nesse cenário, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro passou a exercer papel mais ativo nas articulações partidárias, assumindo influência direta na definição de candidaturas e ampliando sua presença nas decisões estratégicas do PL, segundo o jornal O Globo.
Com o enfraquecimento do grupo político ligado ao governador Ibaneis Rocha (MDB), atingido pela crise no DF, Michelle passou a ser procurada por parlamentares e pré-candidatos, assumindo protagonismo na interlocução política local e interferindo diretamente nos rumos eleitorais.
Crise no DF impulsiona mudança de liderança
A crise que atingiu o entorno do governo do Distrito Federal teve como ponto central a investigação sobre o Banco Master e sua relação com decisões envolvendo o BRB, banco estatal da capital.
Como resposta, o PL protocolou um pedido de CPI na Câmara Legislativa para apurar o caso, marcando o rompimento com Ibaneis, que até então era aliado do bolsonarismo e cogitava disputar o Senado com apoio do partido. Com isso, o eixo de organização política da direita no DF se desestruturou, abrindo espaço para Michelle assumir a coordenação das articulações.
Disputa interna com Flávio Bolsonaro
O avanço da ex-primeira-dama colocou-a em rota de colisão com o senador Flávio Bolsonaro, que mantém a condução da estratégia nacional do PL. Enquanto Michelle passou a apoiar uma composição ao Senado com seu nome e o da deputada Bia Kicis, além de defender a candidatura da vice-governadora Celina Leão ao governo do DF, aliados de Flávio articulam alternativas consideradas mais moderadas.
A deputada Bia Kicis destacou a atuação de Michelle na construção do projeto político: "A Michelle se manifestou publicamente já várias vezes, desde o meu pré-lançamento no dia 11 de novembro, como pelas redes sociais dela várias vezes. Vamos ter agendas em breve, depois da internação do ex-presidente".
Do outro lado, aliados de Flávio defendem o nome do senador Izalci Lucas como opção de centro-direita. A proposta, no entanto, encontra resistência entre apoiadores de Michelle. A senadora Damares Alves afirmou: "Até agora nada apareceu diretamente ligado a ela e acho que ela tem chances reais de ser eleita. Izalci é muito preparado, bom parlamentar, mas Celina é a melhor opção. Celina já passou pelo Executivo antes. Celina será nossa governadora".
Carta de Bolsonaro reforça protagonismo
O fortalecimento de Michelle também foi impulsionado por uma carta escrita por Jair Bolsonaro durante sua prisão, no início de março. No documento, ele orienta aliados a cessarem críticas à ex-primeira-dama e indica que ela deveria assumir papel mais ativo na política após o mês.
A mensagem foi interpretada dentro do partido como um aval direto para sua atuação mais incisiva. A possibilidade de concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente também é vista por aliados como fator que pode ampliar ainda mais o espaço político de Michelle.
Ceará expõe divergências estratégicas
O embate entre Michelle e Flávio se tornou mais evidente no Ceará. O senador articula uma aproximação com Ciro Gomes, visando consolidar apoio do PL no estado e ampliar a presença da legenda no Nordeste. A estratégia inclui negociações sobre composição de chapa e participação na disputa pelo Senado.
Michelle, por sua vez, se posiciona contra a aliança. Alinhada a lideranças conservadoras locais, ela avalia que a associação com Ciro Gomes não dialoga com a base bolsonarista e defende a construção de um palanque próprio.
Disputas em Minas, São Paulo e Paraná
As divergências também se refletem em outros estados. Em Minas Gerais, Flávio busca estruturar uma chapa com o senador Cleitinho, enquanto Michelle mantém proximidade com o deputado Nikolas Ferreira, que apoia outro projeto político no estado.
Em São Paulo, o conflito gira em torno do espaço do PL na chapa do governador Tarcísio de Freitas. Flávio pressiona por maior protagonismo do partido, inclusive na vice-governadoria. Já Michelle defende a manutenção do atual arranjo, evitando tensões com aliados.
No Paraná, a reaproximação com Sergio Moro foi conduzida por Flávio e pela direção do partido sem a participação de Michelle, reforçando a percepção de divisão interna nas decisões estratégicas.
Discurso público de unidade
Apesar das divergências nos bastidores, a narrativa pública dentro do PL busca transmitir coesão. O deputado Cabo Gilberto Silva afirmou: "Quando o presidente Bolsonaro fez a escolha, automaticamente teve outra pessoa que preferia ter outra escolha. Mas como a gente tem um líder, a gente tem que seguir o líder. E daí já está tudo resolvido, 100% dos apoiadores do presidente Bolsonaro estão com o Flávio Bolsonaro".
O cenário indica que, mesmo com o discurso de unidade, as disputas internas no PL devem se intensificar à medida que avançam as articulações para as eleições de 2026.


