Mulheres seguem minoria no setor de petróleo e gás e recebem menos do que homens
Levantamento do Dieese mostra baixa participação feminina e diferença salarial no setor
247 - As mulheres continuam sendo minoria na indústria brasileira de petróleo e gás e também recebem salários menores do que os homens no setor. Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgado pela subseção da Federação Única dos Petroleiros (FUP), mostra que a participação feminina representava apenas 17,7% da força de trabalho em 2024, de acordo com dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho.
Segundo o estudo, havia no ano passado 19.745 mulheres empregadas no setor petroleiro nacional, frente a 91.655 homens. Apesar de um crescimento gradual em relação a 2023, quando eram 18.331 trabalhadoras, a presença feminina ainda é reduzida em um dos segmentos mais estratégicos da economia brasileira. A desigualdade de gênero no setor, segundo representantes sindicais, também se manifesta nas relações de trabalho. Diretora da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Cibele Vieira afirma que o problema vai além da participação numérica das mulheres na indústria.
"Quando falamos de desigualdade no setor petroleiro, não estamos falando apenas de números. O ambiente de trabalho também reproduz violências que as mulheres enfrentam fora dele. A plataforma, a refinaria ou o escritório não são um mundo à parte da sociedade", afirma a diretora. Em dezembro do ano passado, a dirigente sindical também foi alvo de ataques misóginos, episódio que teve repercussão entre trabalhadores dentro e fora da categoria.
Diferença salarial
O levantamento do Dieese aponta ainda disparidades na remuneração. Em 2024, o salário médio das mulheres no setor correspondia a 87,2% do rendimento recebido pelos homens. Para Bárbara Bezerra, diretora da FUP e coordenadora do Coletivo de Mulheres Petroleiras, a diferença salarial tem impacto direto na autonomia das trabalhadoras. "Quando uma mulher ganha menos que um homem fazendo parte do mesmo setor, isso não é só desigualdade salarial. É uma forma concreta de violência econômica, porque reduz a autonomia das trabalhadoras e amplia sua vulnerabilidade dentro e fora do ambiente de trabalho", diz.
Na Petrobras, a presença feminina também avança lentamente. Dados do Relatório de Administração de 2025 da estatal, divulgados nesta sexta-feira (6), mostram que as mulheres representaram 17,6% do total de trabalhadores da empresa, percentual ligeiramente superior ao registrado em 2024, quando eram 17,4%. De acordo com análise do economista Cloviomar Cararine, do Dieese subseção FUP, o número de trabalhadoras na companhia passou de 8.570 em 2024 para 8.938 em 2025. As mulheres também ampliaram participação em cargos de chefia, passando de 24,7% para 25,6%.
"O relatório mostra que a presença feminina na Petrobras voltou a crescer em 2025, mas de forma lenta, apenas 0,2 ponto percentual em relação a 2024. O mesmo ocorreu nos postos de comando da Petrobras, onde a participação das mulheres ainda é pequena, porém crescente ao longo do governo Lula 3 (era de 20% em 2020, com alta de 5,6 pontos percentuais em 2025)", destaca Cararine.


