HOME > Brasil

Petroleiros reforçam pacto contra o feminicídio

Deyvid Bacelar defende que acordos coletivos incluam combate à violência contra a mulher e respeito à diversidade

Deyvid Bacelar (Foto: Reprodução)

247 - O coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, afirmou nesta sexta-feira (13) que a categoria vai intensificar, durante o Carnaval, o apoio ao pacto nacional contra o feminicídio proposto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pela primeira-dama Janja no início do mês. A declaração foi divulgada pela própria FUP. “É inadmissível que tenhamos uma média de quatro mulheres sendo assassinadas diariamente em nosso país. Graças à influencia da primeira-dama e à sua capacidade de diálogo com os movimentos sociais, essa pauta está finalmente sendo abraçada pelos homens em todo o Brasil”, disse.

Bacelar também defendeu que o enfrentamento à violência de gênero seja incorporado de forma permanente às negociações trabalhistas. Segundo ele, as convenções coletivas devem contemplar cláusulas específicas voltadas ao respeito à diversidade e ao combate à opressão. “Na FUP, o debate tem sido muito presente entre petroleiros e petroleiras. Na última negociação coletiva, durante a greve nacional na Petrobras, conseguimos avançar na pauta do respeito à diversidade, no combate à opressão e principalmente no combate à violência contra a mulher. É bom destacar isso, porque fica o exemplo para outras categorias que estão fazendo negociações coletiva, Esses temas precisam aparecer nos acordos coletivos de trabalho, porque essa é uma luta de todos em defesa das mulheres”, ressaltou.

O dirigente sindical alertou ainda para o aumento dos casos de assédio e violência durante o período carnavalesco. Ele observou que, além da grande concentração de pessoas, a cultura machista contribui para que limites sejam ultrapassados, resultando em crimes como o assédio sexual.

Os dados mais recentes indicam que o Brasil registrou, em 2025, um novo recorde de feminicídios, superando os números do ano anterior e mantendo uma tendência de crescimento na última década. Informações preliminares apontam que cerca de quatro mulheres foram assassinadas por dia no país por razões de gênero. Levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e do Anuário Brasileiro de Segurança Pública contabilizou 1.470 casos em 2025, o maior número desde que o feminicídio foi tipificado como crime, em 2015. O total pode ser superior, já que estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro ainda não haviam concluído a consolidação dos dados de dezembro no momento da apuração.

Em 2024, foram registrados aproximadamente 1.492 feminicídios, segundo o Anuário de Segurança Pública, ou 1.450, conforme o Ministério das Mulheres — ambos os números acima dos verificados em 2023. As estatísticas revelam que 64% das vítimas são mulheres negras; 70% tinham entre 18 e 44 anos; e 64% dos crimes ocorreram dentro de casa. Entre 90% e 97% dos agressores eram companheiros ou ex-companheiros das vítimas. Em relação aos meios utilizados, 48% dos crimes foram cometidos com arma branca e 23% com arma de fogo.

O feminicídio é caracterizado pelo assassinato de mulheres em razão de gênero. Entre os fatores associados a esses crimes estão a misoginia e a lógica patriarcal que transforma a mulher em alvo de violência por não aceitar o fim de relacionamentos ou por romper ciclos de dominação. A maioria dos casos ocorre no ambiente doméstico e é precedida por histórico de agressões físicas, psicológicas ou patrimoniais, compondo um padrão recorrente de violência contra as mulheres no país.

Artigos Relacionados