“O Senado é soberano”, afirma Messias após rejeição de indicação ao STF
Advogado-geral da União destaca respeito à decisão do plenário
247 - O advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou, na noite desta quarta-feira (29), que respeita a decisão do Senado Federal após a rejeição de sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). A votação terminou com 42 votos contrários, impondo uma derrota ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em coletiva concedida após o resultado, Messias ressaltou o caráter democrático do processo e a legitimidade da decisão tomada pelos senadores. “Tem dias de vitórias e tem dias de derrotas. Nós temos que aceitar. O Senado é soberano. O plenário do Senado é soberano. O plenário falou. Agradeço os votos que recebi. Faz parte do processo democrático saber ganhar, saber perder”, declarou.
O advogado-geral da União também agradeceu aos 34 votos favoráveis e evitou fazer críticas ao resultado da votação. “Eu não tenho nada a falar nem a reparar acerca da conduta de ninguém. Eu só sou grato aos votos que recebi. Acho que cada um de nós cumpre um propósito; eu cumpri o meu. Hoje participei, me submeti a uma sabatina de forma aberta, de alma leve, com um espírito franco. Falei a verdade, falei o que penso, falei o que sinto, demonstrei o que sinto”, disse.
"Lutei o bom combate, como todo cristão. Sei que a minha história não acaba aqui. Eu tenho 46 anos, tenho história, tenho currículo, tenho uma vida limpa. Passei por cinco meses um processo de desconstrução da minha imagem. Toda a sorte de mentiras para me desconstruir ocorreu. Nós sabemos quem promoveu tudo isso", ressaltou Messias mais à frente.
Mais cedo, Messias participou de uma sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, que se estendeu por cerca de oito horas. Apesar de ter sido aprovado no colegiado, o cenário no plenário permanecia indefinido até momentos antes da votação final.
A indicação já enfrentava resistência desde novembro de 2025, quando o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), manifestou insatisfação e defendeu a indicação de outro nome para a vaga no STF, o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
Casos de rejeição de indicados ao Supremo são raros na história brasileira. Um precedente ocorreu em 1894, durante o governo de Floriano Peixoto, quando Cândido Barata Ribeiro chegou a assumir o cargo, mas não teve sua indicação confirmada pelo Senado diante de questionamentos sobre a exigência de notável saber jurídico.



