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Odebrecht e fundos atribuídos a Vorcaro se uniram na venda de imóveis de luxo em SP

Parcerias envolvem 577 apartamentos em São Paulo e são impactadas por bloqueios judiciais ligados ao antigo controlador do Banco Master

Daniel Vorcaro na prisão (Foto: Reprodução)
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247 - Empreendimentos imobiliários de alto padrão em São Paulo colocam lado a lado empresas ligadas à Novonor, novo nome da Odebrecht, e fundos atribuídos pela Justiça a Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, hoje preso. As informações são do Metrópoles.

Segundo a reportagem, seis projetos recentes na capital paulista reúnem 577 apartamentos e 70 unidades não residenciais, entre edifícios já concluídos, empreendimentos em comercialização e lançamentos ainda não efetivados. Parte dessas sociedades foi atingida por bloqueios judiciais determinados pela 3ª Vara de Falências de São Paulo sobre bens relacionados a Vorcaro.

Os empreendimentos pertencem a cinco incorporadoras. De um lado, aparece a Orion Empreendimentos, empresa que herdou ativos da antiga Odebrecht Realizações Imobiliárias. Do outro, estão sociedades anônimas cujos únicos sócios são dois fundos de investimento atribuídos ao ex-banqueiro pelo liquidante do Banco Master.

De acordo com o liquidante, esses fundos teriam sido usados como “instrumentos de aquisição e titularização formal de bens destinados ao uso e benefício pessoal de Daniel Vorcaro”. A partir desse entendimento, a Justiça paulista determinou a averbação de pendência judicial sobre a Magma Empreendimentos e os fundos Lunar e Quality Golden, entre outros ativos relacionados ao ex-controlador do banco.

A medida tem caráter cautelar e preparatório para uma futura ação revocatória, por meio da qual o liquidante pretende recuperar ativos que teriam sido desviados do Banco Master. Ainda conforme a reportagem, a decisão não foi contestada por terceiros.

A Magma, sócia da Odebrecht em ao menos três empreendimentos já lançados, tem como acionistas os fundos Quality Golden e Lunar. O Lunar, por sua vez, tinha como acionista, ao menos até outubro de 2024, o fundo Astralo 95, também ligado à cota sabidamente pertencente a Vorcaro na SAF do Atlético-MG.

Procurada, a OR, braço de incorporação imobiliária da Odebrecht, afirmou que negociou os aportes em 2022 com empresas vinculadas a Augusto Lima, então CEO do Banco Master. Lima também foi preso no âmbito da operação Compliance Zero e atualmente usa tornozeleira eletrônica.

A incorporadora sustentou que os acordos passaram por procedimentos de governança e due diligence, sem que houvesse, à época, menção ao Banco Master ou a Daniel Vorcaro como possíveis beneficiários finais das empresas investidoras.

A OR disse ainda que, após tomar conhecimento pela imprensa dos processos envolvendo suas sócias, “adotou imediatamente as medidas cabíveis para encerrar qualquer associação ou relacionamento com essas empresas”. Até o momento citado pela reportagem, porém, nenhuma alteração societária havia sido informada à Junta Comercial.

O primeiro empreendimento concluído dentro dessa parceria foi o Baume Itaim, edifício boutique finalizado há poucas semanas no Itaim Bibi. O prédio reúne 21 apartamentos de luxo, com unidades a partir de 219 metros quadrados e preço mínimo de R$ 8 milhões.

A incorporadora responsável pelo Baume Itaim é a ORSP 29, sociedade dividida igualmente entre a Orion/Odebrecht e a Magma. A Magma é dirigida por David Lopes Monteiro, irmão do advogado Daniel Monteiro, preso na quarta fase da operação Compliance Zero.

Daniel Monteiro é acusado de estruturar o pagamento de propina ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, por meio da compra de imóveis a partir de sociedades anônimas dirigidas por um cunhado. Segundo a reportagem, essas empresas teriam origem no mesmo fornecedor de CNPJs de prateleira usado pela Magma e por outras companhias ligadas a Vorcaro.

Ao menos um dos terrenos que deram origem ao Baume Itaim foi comprado com empréstimo concedido pelo Banco Master em dezembro de 2022, conforme documentação citada pelo Metrópoles. As cotas da Magma na incorporadora foram entregues ao banco como garantia, ainda não liberada.

A mesma estrutura societária aparece nos empreendimentos Ryt Paulista Apartments e Ryt Paulista Smart Studios, na Bela Vista, região central de São Paulo. Os projetos têm apartamentos de até 43 metros quadrados e perfil voltado à locação de curta estadia.

Na prática, os Ryt formam um único prédio dividido em dois empreendimentos. Segundo a reportagem, a separação teria relação com incentivos tributários discutidos recentemente em uma CPI na Câmara Municipal. De acordo com a OR, ambos estão atualmente “em construção”.

Outro projeto citado é o Vert Vila Nova, apresentado no site da OR como empreendimento em lançamento. Nesse caso, a sociedade envolve Orion/Odebrecht, fundos atribuídos a Vorcaro e a Praia Empreendimentos, representada por Tiago Ferraz de Moraes Coelho.

No Vert Vila Nova, Vorcaro aparece representado pela Verde Bahia S.A., empresa pertencente ao fundo Lunar, dirigida por David Monteiro e também alcançada pela decisão da Justiça paulista sobre bens do ex-banqueiro. O projeto ficará na esquina da rua Bueno Brandão com a avenida Santo Amaro, na Vila Nova Conceição.

O empreendimento prevê uso misto, com 209 unidades residenciais, que vão de estúdios a apartamentos de três dormitórios, além de 70 unidades não residenciais.

Um dos terrenos do Vert Vila Nova foi comprado em novembro de 2023 por R$ 17,3 milhões. A aquisição também teria sido viabilizada por empréstimo do Banco Master, no valor de R$ 25,4 milhões, tomado pela Verde Bahia. Em setembro de 2025, a alienação do imóvel foi repassada pelo banco a um FIDC gerido pela Trustee, o GSR. No mesmo dia, a alienação foi cancelada, indicando que a dívida foi dada como quitada.

Verde Bahia, Praia e Orion/Odebrecht também são sócias em outro empreendimento residencial previsto para o Itaim Bibi, na esquina das ruas Tabapuã e Bandeira Paulista. A incorporadora do projeto é a BP Itaim, que originalmente pertencia apenas à Odebrecht e passou a ser dividida em partes iguais com a Verde Bahia em julho de 2024.

A sexta parceria mencionada envolve um projeto de luxo na Praça Pereira Coutinho, também na Vila Nova Conceição, esquina com a rua Baltazar da Veiga. A região é uma das mais valorizadas do país. Segundo a reportagem, apenas um dos lotes custou R$ 40 milhões.

Nesse caso, Vorcaro é representado pela Pérgamo S.A., controlada pelo fundo Quality Golden, que também é dono da Magma e sócio do Lunar em dezenas de empresas. A Pérgamo é dirigida por Mauro Gamberi, que também já respondeu pela Verde Bahia.

A reportagem aponta que, entre os oito empreendimentos mais recentes da OR em São Paulo, apenas dois não têm participação vinculada ao Master. Esses dois, ainda conforme o levantamento, também correspondem a um mesmo projeto dividido ao meio por questões burocráticas.

Em nota ao Metrópoles, a OR afirmou: “A OR esclarece que não tem ou teve qualquer relacionamento societário com o Banco Master ou com Daniel Vorcaro, e que não realizou empréstimos com o banco. A empresa, que atua no setor de incorporação imobiliária, possui centenas de investidores pessoa física e jurídica para parcerias em seus empreendimentos, que se associam principalmente nas fases de compra de terreno e lançamento, sendo essa uma prática comum no mercado”.

A empresa acrescentou: “No contexto das perguntas enviadas, ainda em 2022, estabeleceu tratativas somente com as empresas Verde Bahia, Pérgamo e Magma vinculadas ao Sr. Augusto Lima, recebendo investimentos nos empreendimentos mencionados. Os aportes somente ocorreram após os procedimentos padrão de governança e Due Dilligence aplicados no mercado, os quais não resultaram em qualquer menção ao Banco Master ou ao Sr. Daniel Vorcaro como possíveis beneficiários finais dessas empresas investidoras”.

A OR também declarou: “Esclarece, ainda, que, assim que tomou conhecimento, por meio da imprensa, sobre os processos em curso envolvendo as companhias mencionadas, com participação societária em projetos da OR, adotou imediatamente as medidas cabíveis para encerrar qualquer associação ou relacionamento com essas empresas. A decisão reflete o compromisso da OR com clientes e investidores vinculados a esses projetos”.

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