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'Operação da PF desmonta o acordo da impunidade', diz líder do PT sobre ação que teve Ciro Nogueira como alvo

Pedro Uczai associa operação da PF ao caso Banco Master e critica Senado por suposto acordo ”para proteger aliados do Centrão e da extrema direita"

Pedro Uczai (Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados)

247 - A operação da Polícia Federal (PF) que atingiu o senador Ciro Nogueira (PP-PI) nesta quinta-feira (7) ampliou a crise política em torno do caso Banco Master e provocou reação imediata no Congresso. O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai, usou as redes sociais para afirmar, nesta quinta-feira (7), que a ação desmonta um suposto “acordo da impunidade” articulado para proteger aliados do Centrão e da extrema direita, em meio às investigações sobre supostas fraudes financeiras e vantagens indevidas envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo a Polícia Federal, Ciro Nogueira teria recebido pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil do dono do Banco Master, além de vantagens indevidas como viagens internacionais, hospedagens, voos privados e acesso a imóveis de alto padrão. A investigação integra a quinta fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na avaliação de Uczai, a ofensiva da PF revela uma ligação entre setores do Centrão e interesses financeiros investigados pela Justiça. O parlamentar também associou a operação à recente rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no STF.

“Desmonta o acordo da impunidade: reprovaram Messias no Senado, impediram a leitura da CPI do Banco Master e derrubaram o veto de Lula ao PL da Dosimetria para blindar o andar de cima e garantir impunidade para golpistas e corruptos”, afirmou o deputado petista.

Segundo o líder do PT, existiu uma articulação política para barrar o avanço das investigações no Supremo. Ele ainda vinculou o nome de Ciro Nogueira a setores bolsonaristas que buscavam espaço em uma futura composição eleitoral.

“O alvo Ciro Nogueira era o nome ‘com todas as credenciais’ para ser vice de Flávio Bolsonaro [senador pelo PL e pré-candidato ao Planalto] na chapa dos sonhos da extrema-direita. Agora, segundo a PF, esse mesmo Ciro teria recebido mesada de até R$ 500 mil de Daniel Vorcaro e atuado em favor do Banco Master”, declarou Uczai.

Investigação aponta supostas vantagens ao Banco Master

A investigação da Polícia Federal sustenta que o senador Ciro Nogueira apresentou propostas legislativas alinhadas aos interesses do Banco Master. Entre elas aparece a chamada “Emenda Master”, protocolada pelo parlamentar em agosto de 2024 durante a tramitação da PEC 65.

O texto propunha ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. Conforme os investigadores, assessores do Banco Master elaboraram a proposta e entregaram o conteúdo diretamente ao senador para apresentação no Congresso Nacional.

Pedro Uczai também comentou esse ponto da investigação. “Na prática, isso ajudaria o Master a vender CDBs de alto risco com uma blindagem maior. A investigação também fala em custeio de despesas pessoais, bens de alto valor, malotes de dinheiro vivo e apreensão de veículos de luxo”, afirmou o deputado.

A PF ainda apura a compra de participação societária na empresa Green Investimentos S.A. Segundo os investigadores, o grupo ligado a Ciro Nogueira teria adquirido participação avaliada em R$ 13 milhões pelo valor de R$ 1 milhão. A operação ocorreu por meio da empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários, administrada pelo irmão do senador, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima.

Ministro André Mendonça cita provas e impõe restrições

Ao autorizar as medidas cautelares, o ministro André Mendonça afirmou que a investigação reúne elementos suficientes para indicar uma relação funcional entre Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira.

“Os autos reúnem diversos elementos de prova, dentre os quais se destacam comprovantes bancários de transferências, registros de viagens e mensagens eletrônicas trocadas, em tese, entre integrantes da organização criminosa”, escreveu o ministro.

Mendonça também afirmou que os indícios ultrapassam relações pessoais. “Os elementos descritos na representação são suficientes para indicar, em tese, o estabelecimento de um arranjo funcional e instrumentalmente orientado para obtenção de benefícios mútuos, extrapolando relações de mera amizade, entre o senador Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro.”

Com base na decisão, o ministro proibiu Ciro Nogueira de manter contato com investigados e testemunhas da Operação Compliance Zero. André Mendonça também determinou a prisão temporária de Felipe Cançado Vorcaro, apontado pela PF como operador financeiro ligado ao banqueiro. Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima recebeu ordem para usar tornozeleira eletrônica e ficou impedido de deixar o país.

Defesa nega irregularidades

A defesa de Ciro Nogueira negou qualquer prática ilícita e afirmou que o senador ai colaborar com as investigações. Em nota, a defesa do parlamentar declarou que repudia “qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”, além de reafirmar disposição para prestar esclarecimentos às autoridades.

A nota também questionou o fundamento das medidas judiciais. “Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade”, afirmou o advogado.


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