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Pimenta defende CPI do Banco Master após operação da PF contra Ciro Nogueira

Líder do governo na Câmara cobra investigação no Congresso e afirma que caso envolve aliados centrais do governo Bolsonaro

Paulo Pimenta (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

247 - O líder do governo na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (PT-RS), defendeu nesta quinta-feira (7) a instalação de uma CPI para investigar supostas fraudes envolvendo o Banco Master, após o senador Ciro Nogueira (PP-PI) ser alvo de uma operação da Polícia Federal. 

Em publicação nas redes sociais, segundo a coluna Brasília Hoje, da Folha de São Paulo, Pimenta afirmou que a nova fase da operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira, expõe ligações entre integrantes do governo Jair Bolsonaro (PL) e o esquema investigado pela PF. 

Ciro Nogueira foi ministro-chefe da Casa Civil na gestão Bolsonaro e, segundo o parlamentar petista, a operação revela “a intimidade do coração” daquele governo com as suspeitas envolvendo a instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro.

O deputado também cobrou uma reação do Congresso Nacional diante do caso e afirmou que as investigações não podem ser abafadas. “É hora de instalar a CPMI no Congresso e a CPI na Câmara. O povo brasileiro merece transparência, investigação rigorosa e responsabilização dos envolvidos”, escreveu Pimenta no X, antigo Twitter.

Paulo Pimenta assumiu recentemente a liderança do governo na Câmara após a ida do deputado José Guimarães (PT-CE) para o comando do Ministério das Relações Institucionais, pasta responsável pela articulação política do Palácio do Planalto.

Apesar da pressão de aliados do governo, os presidentes da Câmara e do Senado seguem resistindo à abertura de investigações parlamentares sobre o Banco Master. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já havia declarado em fevereiro que “nem se quisesse” abriria uma CPI sobre o tema. Já o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), segundo interlocutores, evita avançar com requerimentos em meio ao ambiente pré-eleitoral.

Tentativas de ampliar as apurações por meio de outras comissões também não prosperaram. Parlamentares chegaram a tentar utilizar a CPI mista do INSS e a CPI do Crime Organizado para aprofundar as investigações, mas os relatórios finais acabaram rejeitados.

Nos bastidores, integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam utilizar o avanço das investigações para desgastar politicamente o bolsonarismo. Aliados do Planalto pretendem associar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como potencial adversário de Lula nas eleições deste ano, ao caso envolvendo o Banco Master, especialmente após a operação atingir Ciro Nogueira, aliado próximo da família Bolsonaro.

A avaliação dentro do governo é que Lula evitará, ao menos por enquanto, fazer manifestações contundentes espontaneamente sobre a operação. A estratégia seria deixar o embate político a cargo de ministros, parlamentares governistas e aliados.

De acordo com a Polícia Federal, Daniel Vorcaro teria efetuado pagamentos mensais de até R$ 500 mil para Ciro Nogueira. Entre os elementos investigados está a atuação do senador em propostas para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), elevando o limite de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante — mudança que poderia beneficiar diretamente o Banco Master.

A defesa de Ciro Nogueira negou irregularidades. Em nota, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”. 

O criminalista acrescentou que o senador está disposto a colaborar com a Justiça “a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos”.

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