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Pacheco se afasta do PT e avalia disputa pelo governo de Minas

Senador aguarda convite formal do União Brasil ou do MDB para definir candidatura em 2026

Rodrigo Pacheco, presidente do Senado (Foto: Pedro França/Agência Senado)

247 - O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) avalia uma possível candidatura ao governo de Minas Gerais e aguarda uma sinalização concreta do União Brasil ou do MDB antes de tomar qualquer decisão. Nos bastidores, aliados indicam que o senador tem se distanciado do PT nos últimos meses e trabalha com a hipótese de disputar o Palácio Tiradentes sem a participação de petistas na chapa.

Segundo pessoas próximas a Pacheco, a avaliação predominante é de que uma associação direta ao governo federal não traria ganhos políticos em Minas Gerais. Esse entendimento também teria levado ao descarte de uma eventual filiação ao PSB, considerada pouco vantajosa do ponto de vista eleitoral.

O movimento impõe dificuldades ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que desde o ano passado vinha manifestando publicamente o desejo de ver Pacheco como candidato ao governo mineiro. À época, o então presidente do Senado era visto como um nome capaz de oferecer um palanque competitivo no Estado, estratégico para a disputa presidencial.

O cenário, porém, mudou. Aliados defendem que, caso Pacheco confirme a candidatura, a melhor alternativa seria repetir uma estratégia semelhante à adotada na eleição municipal de Belo Horizonte em 2024. Naquela ocasião, PT e PL lançaram candidatos próprios, enquanto o PSD sustentou a candidatura do então prefeito Fuad Noman com o apoio do União Brasil.

O senador também já decidiu que deixará o PSD após a filiação do vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, aliado do governador Romeu Zema (Novo). Simões deverá concorrer ao governo estadual com o apoio do atual governador, o que inviabilizou a permanência de Pacheco na legenda. Diante desse quadro, as conversas políticas foram concentradas no União Brasil e no MDB.

A disposição de voltar ao centro do tabuleiro eleitoral representa uma inflexão na trajetória recente de Pacheco. Após não ter sido escolhido para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, ele chegou a declarar que pretendia se afastar da vida pública. Agora, segundo interlocutores, voltou a considerar seriamente a disputa pelo comando do Executivo mineiro.

Entre os fatores que contribuíram para essa mudança está a articulação conduzida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), no fim do ano passado, para conter a aproximação do PP com o grupo político do vice-governador. União Brasil e PP formam uma federação nacional, o que obriga as duas siglas a atuarem de forma conjunta nos Estados. Em Minas, o PP vinha sinalizando apoio a Mateus Simões.

A mensagem transmitida ao entorno de Pacheco é de que a federação União Brasil-PP pode se afastar da coligação governista no Estado, abrindo espaço para a filiação do senador e para a montagem de uma chapa alternativa. Nesse cenário, o PP também poderia integrar a composição majoritária.

No MDB, o principal entrave é a existência de um pré-candidato já lançado, o ex-vereador Gabriel Azevedo. Ainda assim, aliados de Pacheco avaliam que há espaço para negociação interna. O senador tem histórico na legenda, à qual foi filiado entre 2009 e 2018, antes de migrar para o DEM, partido que posteriormente deu origem ao União Brasil.

A definição final, de acordo com pessoas próximas ao senador, só ocorrerá após uma sinalização clara de uma dessas siglas, acompanhada da garantia de estrutura política e eleitoral considerada competitiva. Até agora, Davi Alcolumbre tem sido apontado como o principal articulador e entusiasta de uma eventual candidatura de Rodrigo Pacheco ao governo de Minas Gerais.

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