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Para 53%, classificação de PCC e CV como terroristas é ingerência dos EUA no Brasil

Pesquisa Ipsos-Ipec mostra que maioria vê interferência dos EUA na decisão de classificar PCC e CV como organizações terroristas

Donald Trump /Siglas PCC e CV (Foto: REUTERS/Kylie Cooper / Reprodução / Divulgação)
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247 - A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas é vista por 53% dos brasileiros como uma forma de interferência em assuntos internos do Brasil, segundo pesquisa Ipsos-Ipec divulgada nesta sexta-feira (26).

De acordo com o levantamento, a maioria dos entrevistados concorda total ou parcialmente com a avaliação de que a medida representa ingerência externa. A classificação foi anunciada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos em 28 de maio, mesmo diante de resistência do governo do presidente Lula (PT), que apontou riscos no enquadramento.

Na sondagem, 39% dos entrevistados disseram concordar totalmente com a ideia de que a decisão dos EUA configura interferência em assuntos brasileiros. Outros 14% afirmaram concordar em parte. Já 11% discordam parcialmente e 24% discordam totalmente. Houve ainda 4% que não concordam nem discordam, enquanto 8% não souberam ou não quiseram responder.

A pesquisa também avaliou a percepção dos brasileiros sobre possíveis impactos da medida em comunidades e áreas sob influência das facções criminosas. Segundo o Ipsos-Ipec, 56% dos entrevistados concordam, total ou parcialmente, que a classificação de PCC e CV como terroristas pode colocar em risco moradores de regiões dominadas ou afetadas pela atuação dessas organizações.

O levantamento mostra ainda uma divisão entre os brasileiros em relação aos efeitos da decisão sobre a segurança pública. Para 48% dos entrevistados, a classificação das facções como terroristas pode contribuir para melhorar a segurança no país. Por outro lado, 41% discordam dessa avaliação.

A medida adotada pelos Estados Unidos abriu debate no Brasil sobre soberania nacional, cooperação internacional no combate ao crime organizado e possíveis consequências jurídicas e diplomáticas. O governo Lula tem manifestado preocupação com os efeitos da decisão, especialmente diante do risco de ampliar pressões externas sobre temas de segurança pública que envolvem diretamente o território brasileiro.

A pesquisa Ipsos-Ipec ouviu 2 mil pessoas entre os dias 13 e 17 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

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