Petrobras afirma que diesel subiria R$ 0,70 sem pacote do governo
Presidente Magda Chambriard diz que subsídio ao diesel reduziu impacto da alta e afirma que gasolina permanecerá com preço mantido
247 -A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta sexta-feira (13) que o preço do diesel vendido às distribuidoras teria aumentado R$ 0,70 caso não fosse adotado um pacote de medidas pelo governo federal para reduzir o impacto da alta internacional do petróleo.
Segundo a executiva, a combinação entre a subvenção governamental aos produtores de diesel e o reajuste anunciado pela Petrobras resulta no valor total que seria repassado ao mercado sem a intervenção estatal. A medida provisória prevê subsídio de R$ 0,32 por litro, enquanto o reajuste aplicado pela estatal foi de R$ 0,38.
Durante coletiva de imprensa, Chambriard explicou que a medida permitiu reduzir parte da pressão sobre os preços.
“Isso é quanto a Petrobras vai receber. A guerra foi determinante para esse aumento do diesel. Há 20 dias havia tendência de queda no preço. Estávamos nos preparando para reduzir o preço do diesel e fomos surpreendidos. E o governo interveio, evitando um aumento de R$ 0,70 no preço do diesel.”
A presidente da Petrobras também informou que, por enquanto, o preço da gasolina será mantido no nível atual, sem reajustes.
Impacto da guerra no mercado internacional
De acordo com Chambriard, o cenário geopolítico recente alterou significativamente as expectativas do mercado global de petróleo. O conflito envolvendo o Irã pressionou os preços e interrompeu uma tendência de queda que vinha sendo observada semanas antes.
A executiva afirmou que a empresa acompanha diariamente a evolução dos preços internacionais e não descarta novas decisões caso o cenário continue instável.
“A Petrobras está seguindo sua estratégia. Vamos continuar acompanhando os preços no mercado internacional, e novas medidas podem ser tomadas a qualquer momento. Estamos falando do diesel e estamos deixando a gasolina com o preço mantido.”
Ela ressaltou ainda que vários países vêm adotando iniciativas para lidar com a volatilidade do mercado energético, incluindo a liberação de estoques estratégicos de petróleo.
“Os países estão tomando suas providências, com liberação de estoques. Há um esforço da Agência Internacional recomendando a liberação de seus estoques estratégicos. Estamos vendo os EUA falarem em flexibilizar o embargo ao petróleo russo, estamos vendo rotas alternativas. E tudo indica um aumento agora, com perspectiva de queda em algum momento. Nossa preocupação continua sendo não repassar a volatilidade.”
Conversas com o governo
Questionada sobre o diálogo com o governo federal, Chambriard confirmou que houve conversas com o acionista controlador da companhia antes da adesão à medida provisória que instituiu o subsídio ao diesel.
“Houve conversa com o governo. Se não fosse isso, não iríamos aderir à MP. O governo não interferiu na política de preços.”
Ela destacou que a iniciativa foi resultado de um esforço conjunto para reduzir o impacto da alta internacional dos combustíveis, sem alterar os princípios da política de preços da empresa.
“Essa conjugação de esforços para atenuar os preços não muda em nada a política de preços da Petrobras. Não engessa nem altera.”
A presidente da estatal também ressaltou que o mecanismo criado pelo governo não beneficia apenas a Petrobras, mas também outros agentes do mercado, como importadores e refinadores privados.
“A estratégia de preços continua a mesma. Identificamos a necessidade de reajustar um pouco. A última modificação ocorreu há 310 dias e foi um movimento de redução. Esse reajuste de hoje está em plena consonância com a estratégia de preços da Petrobras, cujo pilar fundamental é não repassar a volatilidade dos preços internacionais ao mercado doméstico.”


