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Guerra no Oriente Médio pode elevar PIB em 2026, diz Fazenda

Simulações do Ministério da Fazenda indicam impacto ambíguo do conflito no Oriente Médio, com possível alta do PIB, inflação e receitas do governo

Sede do Ministério da Fazenda em Brasília 14/02/2023 REUTERS/Adriano Machado (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - A escalada do conflito no Oriente Médio pode gerar efeitos contraditórios sobre a economia brasileira. Projeções divulgadas pelo Ministério da Fazenda indicam que uma eventual disparada do preço internacional do petróleo pode elevar a arrecadação federal e impulsionar o crescimento econômico, ao mesmo tempo em que pressiona a inflação e os custos de combustíveis no país.

A Secretaria de Política Econômica (SPE) da Fazenda divulgou nesta sexta-feira (13) uma nota técnica com simulações que estimam impactos macroeconômicos da guerra no Irã. No cenário mais severo analisado pelo governo, a arrecadação do governo central poderia aumentar em até R$ 96,6 bilhões em 2026, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) ganharia até 0,36 ponto percentual adicional de crescimento.

Três cenários para o preço do petróleo

O estudo parte da hipótese de que o agravamento do conflito pode provocar choques nos preços internacionais do petróleo. A região do Oriente Médio concentra parcela significativa da produção global, e cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo passa pelo Estreito de Ormuz, área estratégica afetada pelas tensões militares.

A SPE elaborou três cenários possíveis para 2026, considerando diferentes níveis de impacto sobre o preço do barril de petróleo tipo Brent.

No cenário considerado mais provável — de impacto temporário — o preço médio do Brent chegaria a cerca de US$ 73 por barril, aproximadamente 11% acima da projeção anterior. Nessa hipótese, a arrecadação líquida do governo aumentaria cerca de R$ 21,4 bilhões, enquanto o crescimento do PIB teria ganho adicional de 0,10 ponto percentual. A inflação também subiria, em torno de 0,14 ponto percentual.

Em um cenário intermediário, no qual o conflito se prolonga e o barril alcança aproximadamente US$ 82, a arrecadação poderia crescer R$ 48,3 bilhões, com impacto positivo de 0,23 ponto percentual no PIB. Já a inflação avançaria cerca de 0,33 ponto percentual.

O cenário mais severo considera interrupções relevantes na oferta global de petróleo e preço médio de US$ 100 por barril. Nesse caso, a arrecadação do governo central poderia chegar ao aumento máximo estimado de R$ 96,6 bilhões, enquanto o crescimento econômico ganharia 0,36 ponto percentual adicional. A inflação, por sua vez, subiria cerca de 0,58 ponto percentual.

Aumento de receitas com petróleo

Segundo a análise da Secretaria de Política Econômica, o avanço da arrecadação ocorreria principalmente devido à elevação dos royalties do petróleo e da tributação incidente sobre empresas ligadas à exploração, refino e distribuição de combustíveis.

Entre os tributos que tenderiam a crescer estão o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) pagos por empresas da cadeia petrolífera. O governo também projeta efeitos indiretos do aumento da atividade econômica sobre outras bases tributárias.

Apesar das pressões inflacionárias, o choque de preços pode trazer efeitos positivos para a economia brasileira. Isso ocorre porque o país se tornou exportador líquido de petróleo e derivados, o que tende a ampliar o superávit comercial quando as cotações internacionais sobem.

Risco de crise global

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, ressaltou que as projeções dependem do comportamento do conflito e da economia internacional.

“Se o cenário ainda mais disruptivo do que nós projetamos desencadearem uma crise econômica e financeira internacional, seria preciso refazer as projeções”, afirmou.

Mesmo com a revisão de algumas variáveis externas, o Ministério da Fazenda manteve a estimativa de crescimento de 2,3% do PIB brasileiro em 2026, com a inflação projetada ainda dentro da meta ao longo do ano.

Medidas para conter o impacto nos combustíveis

Um dia antes da divulgação do estudo, o governo anunciou um conjunto de medidas para tentar limitar o impacto da alta do petróleo sobre os combustíveis no Brasil.

Entre as iniciativas está um decreto que zera as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel, além de uma subvenção de R$ 0,32 por litro destinada a produtores e importadores do combustível. O pacote também prevê a criação de um imposto sobre a exportação de petróleo, como forma de compensar perdas de arrecadação.

Segundo estimativas do governo, essas ações podem reduzir o preço do diesel nas bombas em cerca de R$ 0,64 por litro.

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